12160 - Thriller's Home / 1º Capítulo

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"A Casa"

Um clima pesado, ar de apreensão no corredor daquele hospital na manhã do dia 7 de março de 1987. Annie havia dado a luz á pequenina Milena quatro dias atrás e contraíra uma pneumonia no hospital. Parte da família aguardava por noticias na sala de espera, todos muito preocupados, Annie teve uma gravidez complicada e sua saúde era muito debilitada, essa pneumonia poderia matá-la. Eis que chega o médico tão esperado.

- Como já é conhecido pelos senhores, a paciente tem um quadro grave de pneumonia.

- Se o senhor veio até aqui pra repetir a mesma ladainha, é bom desistir. Já sabemos o que ela tem aqui, e sabemos de onde veio. - interrompeu Rachel, irmã de Annie.

- Acalme-se senhora, este não é o melhor momento para discussão. Vim comunicar-lhes que mesmo diante de todos os esforços realizados a paciente veio á falecer agora há pouco.

O silêncio toma conta do local, os familiares levam agora uma expressão de choque no rosto. O silêncio é cortado pelo choro de Rachel.

Já no velório, choro e lamentos tomavam conta do local, Annie era uma mulher muito querida e de muitas amizades. Podia-se ouvir que os assuntos mais tocados eram o nome da recém-nascida, todos lamentavam tamanha fatalidade que foi chegar para um parto e morrer devido á uma pneumonia contraída no hospital. A grande dúvida era com quem ficaria a criança, teria a família condições de acolher e criar a menina?

Os irmãos Collins não eram muito unidos á Annie, talvez por inveja ou falta de amor, mas Rachel decidiu levar a criança para sua casa, mesmo coma desaprovação dos irmãos.

- Você é louca? - indaga Francis, a irmã mais velha.

- Realmente, é loucura. Essa criança não é nossa responsabilidade, ela deve ter um pai, nós sabemos onde a família mora. Levamos para lá. - concorda Sean, outro irmão.

- Mas ela é parte da nossa família, sangue do nosso sangue, será que vocês não conseguem enxergar isso?

- Mas tem alguém que é mais sangue que nós, o pai. Já que ele fugiu, que fique com a família dele.

- E depois, eu não vou aguentar uma criança chata chorando a noite toda, muito menos servirei de babá. - completa Sean.

Rachel consegue convencê-los á permitir a estadia da criança, mas vai até a casa da família do pai para exigir o pagamento de pensão.

Chegava agora Milena á casa número 12160 no bairro de Jamaica Plain. Ia sendo criada normalmente, começou a andar, falar, era uma menina americana normal. Agora tinha 3 anos começara a ir á escola. Na casa, a rotina era a seguinte: Acordavam muito cedo, menos Sean, não trabalhava, vivia de pequenos bicos e do tráfico de drogas, as quais vendia em sua própria casa. Milena estudava á tarde e passava a manhã em casa, aos cuidados do tio, já que as tias trabalhavam e a prima estudava nesse horário.

- Bom dia, garota.

- Bom dia tio, o senhor quer ver TV comigo?

- Sim minha linda, vamos ver TV e depois brincar um pouco, o que acha?

- Legal, agora vem ver, esse é meu desenho favorito.

A manhã seguia dessa maneira, e sendo interrompida pelos clientes de Sean que chegavam quase que pontualmente de 30 em 30 minutos. Ligações, conversas longas, vendas, assim Sean ia garantindo seu sustento, de maneira suja, mas era um negócio lucrativo. Milena presenciava tudo sem entender, achava que o tio era vendedor de tecidos, já que ele tinha vários guardados e uma máquina de costura.

"- Agora que brincamos, vou tomar banho. Você quer vir junto, Milena?" - Sean começava a revelar seu outro hábito criminoso, além do trafico de drogas. Levou-a para o banheiro, tirou suas roupas, passava as mãos pelo corpo da garota, e começava a surgir uma excitação doentia nele. Direcionava as mãos da garota aonde lhe interessava sem que ela oferecesse resistência. Começara aí a aproveitar-se da inocente sobrinha. Tais atos seguiam regularmente, á medita que a garota crescia Sean ia ficando violento, ela começara á resistir e a perceber a monstruosidade do tio. Descobrira que não era a única vitima dele, os tais tecidos que ele guardava serviam, além de disfarce para a carga, para amordaçar e ameaçar filhos e filhas dos clientes que frequentavam a casa, e por muitas vezes deixavam as crianças sozinhas enquanto conversavam com as irmãs Collins. Sean amordaçava a menina e realizava todas suas vontades, além de agredi-la como represália para que mantivesse aquilo em segredo. Aos 8 anos, tia Francis levava á menina todos os dias para uma praça razoavelmente longe da casa, deixava a menina brincando, enquanto observava. A praça não era muito frequentada, o que era de conhecimento de Francis.

- Minnie, venha aqui. - Era esse o apelido dado pela família á menina

- Aconteceu algo, tia?

- Não, sente-se aqui ao meu lado, querida. - disse isso enquanto deslizava os dedos na perna da garota e levantava a saia.

Passava a língua e os dedos por todo o corpo da sobrinha, enquanto a menina chorava em baixo volume. Francis começara a adotar o mesmo comportamento sujo do irmão. Alguns anos depois, Milena já adolescente, pensava ter ganhado um alivio de tais situações: A prima Elena fora expulsa da escola, não estudava mais, ficaria em casa. Milena pensava que isto impediria que o tio continuasse abusos. Estava certa em partes, mas a prima tinha um problema mental grave, e ela seria vitima disso.

- Milena, venha comigo ao meu quarto, vamos ler minhas revistas.

- Vamos sim, minha manhã é muito chata, revistas são mais interessantes que a TV.

- Milena, você já se apaixonou?

- Nunca. Eu sou muito feia pra isso, procuro nem me meter nessas coisas.

- Oh, que balela. Você é uma menina linda, prima.

- Ah, Elena, gentileza sua, mas olhe pra mim, essa cara de eterno cansaço que tenho. Espanta até mesmo os inimigos.

- Não diga isso, você é uma linda menina. - disse isso alisando os seis da prima.

- O que está fazendo? Tire essas mãos de mim, sua louca. - grita Milena, levantando-se da cama.

- Nem pense em se mover - diz Elena, puxando uma faca escondida debaixo da cama. - Você agora é minha namorada.

- Como? Você é mais louca do que eu pensava, garota.

- Estou falando sério, Se quiser ir, não muito longe, sei usar esta faca muito bem.

- Vou contar tudo á tia Rachel, você vai ver, seu demônio! - diz Milena, em tom desesperado.

- Você que sabe. Conte-a, e as duas morrem.

Milena era agora refém de três monstros, que deveriam protegê-la. Aquela casa, que deveria ser seu refúgio de carinho e afeto, era seu maior medo. Estava em meio ao lar do terror.



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