ESPÍRITOS PERTURBADORES

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espiritos-perturbadores      O Sr. Samir, um cidadão de origem libanesa, já aposentado, patriarca de uma família composta por Kalila, sua esposa, duas filhas e quatro netos, estava, em uma noite, lendo o jornal no sofá da sala, quando, de repente, a luz se apagou. O homem se levantou e olhou pela janela para ver se na vizinhança havia alguma lâmpada acesa e percebeu que só em sua casa havia faltado luz. Pegou uma lanterna e foi ver o que teria acontecido com o medidor de luz da casa.

      Chegando lá, percebeu que a chave, que ainda era do tipo antigo, que dependia de ser encaixada nos bornes, estava desligada. O velho ligou a chave e voltou a ler sou jornal. Um minuto depois a luz se apagou novamente. Entendendo que deveria ser mau contato, e que a chave, por ser antiga, poderia estar com alguma folga, Samir encaixou a chave novamente. Pegou um martelo, pregou um prego de cada lado da chave e amarrou um arame de um prego ao outro, passando por cima da chave, de modo que ela não pudesse voltar para trás sozinha. E voltou a ler seu jornal. Não passou um minuto para que tudo ficasse escuro novamente. Sua surpresa foi enorme ao chegar junto ao medidor de luz e perceber que o arame que ele havia colocado estava cortado com se alguém tivesse usado um alicate de cortar fios. Se, ao invés disso, tivesse ocorrido um curto circuito cortando o arame, este estaria preto e derretido nas pontas. O homem começou a achar que tudo não passava de brincadeira de algum filho ou neto. Por isso, fez uma busca pela casa e em torno dela. Uns haviam saído e outros estavam dormindo. Resolveu acender algumas velas, deixar para resolver o problema no dia seguinte e foi dormir.

      Até a manhã seguinte, nada de anormal aconteceu.

      A família possuía uma lojinha que vendia todo tipo de mercadoria, de uma só porta, na frente da casa, ao lado da entrada para o carro, com uma porta nos fundos, aberta para o terreno da casa.

      Hania, a filha mais velha do casal, casada e separada do marido, mãe de duas moças, era responsável por abrir a loja às nove horas.

      Todos os dias, após levantar a porta da frente, que dava para a rua, Hania parava, por um ou dois minutos, com as mãos na cintura, e ficava olhando o movimento. Naquela manhã, sem nenhum motivo aparente, enquanto estava de costas para o interior da loja, uma das peças de tecido empilhadas na prateleira, veio bater com bastante força na altura de seus ombros. A mulher achou aquilo muito estranho, pois as peças de tecido não ficavam perto da porta. Só poderia ter sido atirada em suas costas por alguém fazendo uma brincadeira de mau gosto.

      Foi para olhar atrás do balcão. Como não havia ninguém, abriu rapidamente a porta dos fundos para ver se pegava alguém escapando dali. Não viu ninguém.

      Voltou, pegou a peça de tecido no chão, ajeitou, pois havia desenrolado um pouco e colocou-a de novo na prateleira, onde estava empilhada e voltou para a porta, agora com as atenções voltadas para qualquer movimento dentro da loja.

      Passados um ou dois minutos ela sentiu uma pancada forte nas costas, como um soco, e percebeu que alguma coisa, dura e pesada, caiu no chão atrás dela. Quando se virou, viu um peso de balança, de duzentos gramas, perto de seu calcanhar.

      Voltou a olhar atrás do balcão e abriu de novo a porta dos fundos que dava para o quintal. Nada. Não havia ninguém por perto. Recolocou o peso da balança no suporte de encaixe. Desta vez, estava tensa e assustada e não queria mais virar as costas para o balcão da loja. Porém, um barulho na porta de entrada chamou sua atenção, e ela virou a cabeça para olhar. Foi quando o mesmo peso de duzentos gramas "voou" em sua direção , atingindo o seu pescoço, quase à altura da nuca.

      Apavorada e sentindo todo seu corpo se arrepiar, baixou a porta da frente da loja e trancou-a à chave. Saiu depressa pela porta dos fundos, que fechou à chave também, e foi chamar os pais, esbaforida, para contar o que aconteceu.

  * * *

      A família morava em um terreno grande onde foram construídas três casas. Em uma morava o casal de velhos; em outra, a senhora, dona da lojinha e suas duas filhas; e na terceira, a filha mais nova com o marido e dois filhos pequenos.

      No dia seguinte, pela manhã, Hania estava na sala da casa dos pais, conversando com eles sobre os acontecimentos que se iniciaram há dois dias, com o episódio do desligamento contínuo da chave do medidor de luz.

      A certa altura, Kalila interrompeu a conversa para ir até à cozinha preparar um café. Em seguida, ouviu-se, da sala, um grito de espanto, quase de horror, por parte da senhora idosa.

      Os dois, pai e filha, correram em socorro da velha e a encontraram apoiada com as costas na porta aberta e os olhos fixos no piso do cômodo. Estavam ali, empilhadas, da maior para a menor, todas as latas de alumínio, de guardar mantimentos, que se encontravam no armário até aquele momento.

      Colocaram tudo de volta no armário, pegaram algumas cadeiras e foram conversar no quintal.

      A irmã mais nova e o respectivo marido estavam trabalhando na cidade. Os dois filhos do casal, a essa altura, já deveriam estar voltando da escola. As duas moças, Laila e Latifa, haviam saído para a faculdade. Estavam no imóvel, apenas Hania e seus pais.

      Após arrumarem as cadeiras em círculo, sentaram-se e estavam respirando fundo, sem saber bem o que dizer, quando ouviram a campainha do relógio despertador. Todos se surpreenderam ao ver que ele estava no chão, colocado exatamente atrás do pé da cadeira de Hania.

      Pegaram rapidamente as cadeiras e correram para dentro de casa. Ao entrarem pela cozinha, depararam com os mesmos recipientes de alumínio novamente empilhados, no chão, e o peso da balança, que havia ficado no chão da loja, quando Hania fechou tudo e correu para dentro de casa, estava ali, sobre a pia da cozinha.

      Hania estendeu a mão para pegar um dos copos na prateleira para preparar uma água com açúcar, quando a mãe gritou: "Pára!". A filha parou assustada e olhou para a mãe. Kalila explicou que tinha visto um fio luminoso entrando pelo basculante, na direção de um dos copos. A filha achou que poderia ser um fio de teia de aranha iluminado pelo sol. A mãe levantou-se e foi pegar aquele que achava ser o copo atingido pelo fio. Quando o levantou, pela borda, o fundo ficou na prateleira, como se tivesse sido cortado por um aparelho de cortar vidros.

 * * *

      À noite, quando todos já haviam chegado, reuniram-se em volta da mesa para decidir o que fazer, e resolveram chamar um padre para rezar a casa.

      No dia seguinte o padre veio e, assim que atravessou a porta, o crucifixo que estava em seu pescoço foi arrancado e atirado longe, indo parar no chão, no centro da sala. O padre parou, assustado. Depois, fechou os olhos, se benzeu e acabou de entrar.

      Após rezar todos os cômodos da casa, e aspergir água benta, o reverendo se foi, e tudo voltou ao que era antes.

      Todos os objetos, colocados em prateleiras, mudavam de lugar à vista de qualquer pessoa. Simplesmente deslizavam, sem fazer ruído. Fortes pancadas na porta, ocorriam como se alguém estivesse querendo entrar. Ainda na saída, enquanto conduzia o padre até o portão, o senhor Samir foi atingido por três pancadinhas curtas na cabeça, desferidas pelo pequeno pilão de socar tempero. O objeto os vinha seguindo, como se trazido pela mão de alguém. Após os três "cascudos", o pequeno pilão simplesmente caiu no chão ao lado dos dois. O padre não percebeu, e o dono da casa resolveu não falar nada.

      Decidiram, então, chamar uma mãe de santo, que atendia em um centro espírita da redondeza. Ela e mais três médiuns rezaram, cantaram "pontos", dançaram ao som de atabaques batidos por dois rapazes que as acompanhavam, benzeram a casa e deram "passes" nos membros da família.       Depois que saíram não demorou duas horas para ficar tudo ainda pior. Braseiros começaram a se formar espontaneamente nos colchões. Alguns ainda podiam ser usados depois de apagado o fogo; outros, tinham que ser arrastados para fora de casa e deixados queimar, pois não dava mais para aproveitar.

      Tudo foi saindo de controle a ponto de jornais e repórteres de TV começarem a divulgar o fato. Entrevistaram familiares. Ficavam na frente da casa cercando as pessoas que saiam, e chegaram a insinuar que tudo fosse provocado pela energia negativa de algum dos membros da família. Todos estavam se sentindo derrotados.

      De repente, tudo parou. Não aconteceu mais nada. E ficou assim por quase um ano. Mas, quando voltou, veio com força total. Pedras arrebentavam as vidraças, vindas de lugar nenhum. Facas eram atiradas para todo canto. Cadeiras eram arrastadas. Móveis, inexplicavelmente, tombavam sobre as crianças.

      A família viu-se obrigada a se mudar para uma casa grande em outro bairro, onde ficaram todos juntos. O terreno, com as três casas, está desocupado até hoje. Não conseguiram alugar nem vender. A placa, oferecendo para venda ou aluguel, fixada na frente do imóvel, foi tantas vezes arrancada ou derrubada, e tantas vezes apedrejada por alguém invisível, que precisava constantemente ser substituída. Algumas vezes, quando alguém passava por perto, via as pedras baterem de encontro à placa e caírem no chão, mas nunca sabiam de onde estavam vindo.

credito da ilustração: ST E PH/ EN _G via photopin cc



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Comentários   

0 # larissa de paula 30-11--0001 00:00
e essa estoria foi de terror mesmo foi muito assustante..... ............... .. :eek:
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0 # laryssa dos santos 30-11--0001 00:00
foi muito assuatante mesmo.......... .
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0 # brunno 30-11--0001 00:00
Assustador :o
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0 # Osler Ericson Kreisler 04-07-2016 01:57
Obrigado pela visita, Bruno. Leia meus outros contos. Um abraço!
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