Tumulo Violado

1 1 1 1 1 Rating 0.00 (0 Votes)


Para compartilhar nas redes sociais, clique aqui:

Dentro de uma tumba com o formato de uma capela, sobre o sepulcro podre cravado com tocos de velas secas, escorridas pelo piso de pedras lascadas e trincadas, jazia o corpo de Otávio Furgencio, notável barão do vinho, vitima de uma hemorragia interna que demorou a ser estancada, a 76 anos atrás.
Lá fora, um homem maltrapilho, a sombra da fria noite de Agosto, munido com uma picareta e outras ferramentas, pronto para violar o tumulo largos tijolos. Antes ele coloca o cigarro vagabundo entre os dentes podres e o acende, traga fundo e da uma violenta tussida, a qual resulta em uma escarrada grotesca no chão. Ele direciona a lanterna em direção ao catarro e o vê, mesclado com sangue. Ele ignora e continua a tragar, enquanto levanta a marreta e lança escancaradamente contra a porta de pedra.
A porta se trinca e ele sorri, golpeia outras duas vezes, satisfeito com o resultado. Ele entra dentro do tumulo e avista o caixão do barão, examina cauteloso o caixão deixado lá a exatos 76 anos atrás, pega o pé de cabra e ainda sorrindo, pressiona a tampa.

Apos uma tremenda dificuldade a tampa começa a ranger, ele percebe que arrombar o caixão seria mais difícil que abrir tumulo. Em extrema sutileza, a tampa finalmente sede aos esforços e trinca nas partes parafusadas, se abrindo enfim. Ele olha dentro do caixão e se prepara para saquear os pertences do barão, no entanto tem uma surpresa: O corpo sepultado a 76 anos atrás esta praticamente intacto, tal qual como foi enterrado!
Ele se volta a porta do tumulo e rele a data da morte. Não, ele não estava enganado, realmente o barão havia morrido a 76 anos atrás. Ele se desespera, pois acabara de encontrar algo inusitado.
O saqueador esperava encontrar jóias e dentes de ouro, como acontecia a saques anteriores túmulos anteriores.
Ele para tremendo diante o corpo conservado. Alcança o maço e acende outro cigarro, traga em desespero e pigarreia mais sangue, manchando desta vez a própria boca. Ele se limpa com um lenço ainda mais sujo, tenta decidir o que fazer com o achado. Arranca o corpo mole do caixão e o coloca nas costas, sai do tumulo e caminha com extrema dificuldade até a rua desertificada, aonde uma velha caminhonete vermelha o aguardava. Joga o corpo do barão na carroceria, entra no veiculo desconfiado, olhando para os lados e sai dali discretamente.

Na manhã seguinte alguem grita ao portão de uma grande casa velha, toda de madeira, caindo aos pedaços:
-Seu Jorge! Acorde, homem!
Jorge abre os olhos, abre a cortina encardida de trapos e olha pela janela. Vê a gorda que lhe chama. Ele faz sinal para que ela o espere, caminha até a cozinha, passa pela sala e vê o cobertor cobrindo o corpo do barão no sofá. Ele o levanta e vê a face barbuda do barão, sorri e o cobre novamente, coça o saco e vai atender a gorda:
-Pois não, dona Cláudia.
Cláudia, coberta com seu vestido de pano surrado, rodeado de prendedores de roupa de varal pede ao imundo:
-Acode eu, que meu varal quebrou de novo, Seu Jorge! A madeira que sustentava as cordas se quebrou e as roupas caíram todas nessa terra nojenta!
Jorge se aproxima da gorda, a olha nos olhos e indaga:
-Pois eu lhe disse que arrebentaria! Eu disse que aquele pau podre não agüentaria tanta peça de roupa, mulher!
A gorda inconformada pede:
-Pois me arrume aquilo! Tenho roupas para entregar ainda hoje, e sem varal eu estou encrencada.
A gorda vira as costas e sai, Jorge entra na garagem e se volta ao velho carro. Abre a porta e arranca a caixa de ferramentas. Abre o porta luvas, arranca um cigarro e fuma. Vai até dentro da casa e novamente avalia o morto. Tenta abrir o paletó, este se rasga em sua mão. Ele olha para o peito do barão e o vê intacto como o resto do corpo. Olha para os lados e abre suas calças, que também se rasgam. Leva a mão até o pênis do barão e o apalpa, constatando que ta tudo em ordem. O grotesco coça a cabeça calva, procurando entender aquilo, mas o que entende é que este fato esta muito alem de sua compreensão. Como explicar sobre um homem, que faleceu a 76 anos atrás, e de repente se da a entender que ele aparenta ter morrido a minutos?
Sem se questionar, ele parte com a caixa de ferramentas a casa da gorda.

Arrumando o varal da gorda, tinha total vista a tv da sala, que anunciava o ocorrido:
-O tumulo de um importante barão foi arrombado e seus restos mortais foram retirados do local. Testemunhas virão um homem em uma caminhonete vermelha nas proximidades, arrastando algo estranho e o caso esta sendo investigado pela policia local!
Seu Jorge se calou, respirou fundo e concluiu o serviço a gorda, que lhe deu duas notas de dois reais. O troncho segurou na mão da gorda e lhe disse:
-É pouco!
Ela lhe sorriu, alisou o volume em suas calças surradas e prometeu:
-Ao cair da noite eu passo na sua casa e lhe pago o resto!

Esperando a visita noturna da dona Cláudia, Seu Jorge tratou de esconder o cadáver na caminhonete velha, o cobrindo com o mesmo cobertor velho. Se voltou a casa, tomou um rápido banho e tentou pentear os s sebosos laterais cabelo. O pente enroscava os dentes no emaranhado duro. Um ardume irritante invadiu sua garganta, Jorge correu para a pia. Lá, tossiu três vezes e cuspiu o catarro sangrento:
-Maldito câncer! -Praguejou, ligando a torneira, se livrando do catarro.
Escutou alguem bater em sua porta, olhou pela janela e a viu, Cláudia, trajada em seu vestido verde, pronta para pagar a divida ao nojento.
Seu Jorge abriu a porta e sorriu, a gorda entrou e ele lhe deu um grande tapa em sua enorme bunda, ela sorriu como uma safada e adentrou, já conhecendo o caminho do quarto.

A noite trouxe o vento frio na janela. Seu jorge, abraçado com a gorda que dormia e roncava, escutou um estranho barulho vindo da garagem. Correu com um porrete em mãos para liquidar o invasor. Foi sorrateiro até a garagem, lentamente se aproximou da velha caminhonete, devagar puxou o cobertor e se surpreendeu: O corpo não estava mais lá. Jorge se estremeceu, então sentiu um vulto frio passar pelas suas costas.
Escutou então o grito desesperado de dona Cláudia, em seu quarto. Correu desesperado para socorre-la. Quando chegou encontrou o barão, espancando a gorda com o pé de cabra.
Seu Jorge se desesperou, viu então as luzes de viaturas da policia transpassar a janela, e de lá gritou em desespero por socorro.
Quando se voltou a gorda e ao barão, não o viu mais.
Os policiais adentraram a casa, miraram a arma em sua cabeça e o renderam. Ele contou toda a historia, então levou os policiais até a caminhonete, aonde o cadáver conservado do barão estava debaixo da coberta. Quando um dos policiais ergueu o pano velho, se deparou com uma ossada, que certamente pertencia ao barão. Seu Jorge ficou sem entender o porque daquele monte de ossos estar no lugar do corpo...
A justiça julgou Jorge por roubos a túmulos e por assassinato. Jorge não teve tempo de cumprir sua sentença, pois o câncer que lhe provocava alucinações, lhe levou para onde tudo havia começado: O Cemitério.

Observação do autor: Este texto não ficou do jeito que eu queria que ele ficasse.



Para compartilhar nas redes sociais, clique aqui:

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

© Contos de Terror - Letras de Sangue | Design by: LernVid.com