Enterrado Vivo

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Quando dormimos, nunca sabemos como será o local onde acordaremos, não é verdade? Sempre acreditamos que acordaremos no mesmo lugar de onde dormimos, mas pode acontecer que isso não aconteça. E quando você dorme no conforto de sua cama e acaba acordando no interior de um caixão, fechado, lacrado e com sete palmos de terra acima?

Essa é a história de Joseph. Joseph Adamav. 20 anos. Dormira em casa, sobre sua cama, como todas as noites, por volta da meia-noite. Ao acordar, sentia que dormira por um número imenso de horas – talvez vinte ou trinta. Precisava dormir um número maior de horas, pois só dormira duas ou três nas noites anteriores. Pena que seus parentes, ao perceber de que Joseph não acordava, acreditou que o mesmo havia falecido.

Dormindo, de uma tal forma que seus sinais vitais eram nulos a olhos humanos, foi levado ao hospital. Lá, foi creditada sua morte por parada cardiorrespiratória. Foi dado o atestado de óbito e foi preparado o funeral. Tudo acontecia ao redor de um Joseph completamente alheio ao seu destino.

Quando acordou, completamente alheio aos fatos que aconteceram nas horas que esteve dormindo, Joseph sentiu uma pungente dor nas costas, que dormiam por causa do desconforto do fundo do caixão.

Ao acordar, Joseph abriu os olhos – como se normalmente fazemos ao acordar. Percebeu estar o local completamente tomado pela escuridão. Estranhou o fato de se encontrar com os braços cruzados sobre seu peito e se encontrar dormindo de costas – Joseph só dormia de bruços. Tentou mexer os braços, mas estes se encontravam completamente – dormentes a tal ponto que não conseguiam mexê-los sem parecer que não obedeciam às ordens cerebrais. Repentinamente, veio à dormente, mais intensa que o comum, por se tratar de ser nos dois braços.

O rapaz ficou ali, contorcendo-se por causa da dormência intensa. E, em questão de um minuto ou dois, eis que a sensação se extinguira por completo.

- Por que meus braços estavam assim, Deus? – perguntou Joseph, para si mesmo, ofegante, por causa da sensação angustiante

Joseph esticou o braço a fim de encontrar o interruptor que se encontrava ao lado da cama. Entretanto, o rapaz encontrou algo no meio do caminho, mais perto que a parede do seu quarto, que fez um pequeno estrondo ao ser esbarrado pelo rapaz. Este estranhou. Tocou novamente o local. Parecia ser... madeira.

"Madeira?", se perguntou o rapaz, em pensamentos, surpreso. Virou para o outro lado. Estava igualmente tomado por madeira. De inopino, como que por reflexo, levou as mãos para cima. Acertou algo, igualmente de madeira. Tateou, completamente tomado pelo desespero. Em seguida, parou. Seu cérebro processava os acontecimentos. "Meu Deus...", disse. Sua vontade era de chorar. Foi enterrado vivo!

Repentinamente, como que por reflexo, lembrou-se de algo. Tateou o próprio corpo, na altura da cintura, procurando os bolsos. Encontrou-os. Enfiou a mão no local. Não encontrou nada.

"É óbvio.", pensou, consigo mesmo, enquanto uma esperança, que outrora adentrou seu peito, se esvaía do local. "Jamais seria enterrado com o meu celular."

Relaxou por um momento. Suspirou fundo. Uma primeira lágrima começou a escorrer de seu rosto. "Por quê?!", se perguntava, em pensamentos. Em seguida, veio uma segunda, uma terceira. Junto das lágrimas, veio um impulso desenfreado, tomado pela ira, de atacar, com força, a tampa do caixão. E assim Joseph fez. Em um ataque infantil de pirraça, chutou e socou com força, inúmeras vezes repetidas, a tampa do caixão. O barulho de madeira sofrendo estrondo ecoou pelo local. Entretanto, nada relevante aconteceu.

A ira passou, e o rapaz acalmou. Encostou as costas no fundo do chão. O desespero tomou conta do local. Voltou a debulhar-se em lágrimas.

- O que farei? O que farei? O que farei? – se perguntou, em pensamentos.

De repente, eis que surge uma ideia em sua mente. "É claro", disse, junto de um sorriso de esperança. Dobrou o joelho e subiu o próprio corpo até encostar com a cabeça na parte mais alta do caixão. Em seguida, impulsionou os seus pés para frente. Tentou chutar o outro lado do caixão. Os pais bateram com força no local, entretanto, nada aconteceu além de fazer um imenso estrondo.

Joseph voltou a dobrar o joelho e a chutar a lateral do caixão, entretanto, novamente não conseguiu êxito. Suspirou fundo, por um momento. Em seguida, veio à sua mente uma segunda ideia.

Contorceu-se no caixão, ficando em seu meio, completamente encolhido. Em seguida, modificou sua posição, a fim de as pernas ocuparem a parte mais próxima da tampa do caixão. Por fim, encostou as costas na parte de baixo do local mais próxima da lateral da parede, chegando a encostar a cabeça e, em seguida, impulsionou-se com as pernas, jogando-as para cima, com toda força. Desferiu na tampa do caixão um poderoso chute. Sentiu-a mexer, mesmo que lentamente e percebeu, também, a terra mexendo acima do caixão.

- Isso! – disse, para si mesmo. Impulsionou-se novamente, da mesma forma que a anterior, e desferiu outro poderoso chute na tampa do caixão. Esta mexeu novamente, junto da terra que se encontrava acima dela.

Joseph tentou chutar uma terceira e uma quarta vez, entretanto, nenhuma das duas vezes logrou êxito.

Respirou fundo. Estava ofegante. Por causa do esforço repetitivo, sua cabeça começou a doer. Começou a ficar tonto. Levou a mão à cabeça momentaneamente. Em seguida, percebeu sua respiração se tornar descompassada. Era falta de ar. O ar estava acabando!

Joseph voltou a ser tomado por um desespero angustiante e começou a chutar repetidas vezes a tampa do caixão, contudo, como nas vezes anteriores, acontecia apenas estrondo. Para piorar sua situação, em um dos chutes, acabou acertando de mau jeito o pé esquerdo na tampa de madeira, fazendo o mesmo virar e a estralar. Joseph sentiu uma dor imensa. Urrou de dor, enquanto contorcia-se de dor, com a mão no local.

- Socorro! – começou a gritar, ainda tomado pela dor. – Socorro! Socorro! – continuou a gritar. O desespero era tamanho, que o rapaz debulhava-se em lágrimas. – Socorro! Socorro! – os gritos eram incessantes, todavia, começava a perder a consciência. Gritou mais duas ou três vezes por socorro antes de perder por completo a consciência.

Cinco anos se passaram desde o fatídico acontecimento de Joseph. Sua família, aos poucos, começou a acostumar com a "morte" do rapaz e, agora, iriam retirar o seu corpo – ou melhor, seus restos mortais – da cova para ir para o ossuário.

O caixão foi retirado do interior da sepultura e colocado ao seu lado. O coveiro o abriu. Em seguida, assustou-se. Os familiares que presenciavam a exumação de Joseph igualmente assustaram. O corpo de Joseph, agora um esqueleto, estava contorcido no interior do caixão, com os joelhos e a cabeça na parte funda do local. Sua mão direita segurava seu pé direito, posicionado de uma forma que facilmente se identificava que quebrara. A tampa do caixão estava curvada para cima – sinal de que houve golpes internos, na tentativa de quebrá-la. Os familiares de Joseph começaram a debulhar-se em lágrimas. O rapaz foi enterrado vivo!



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Comentários   

0 # mateus 30-11--0001 00:00
tutwth :eek:
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0 # Nadinnie 30-11--0001 00:00
Repetitivo mas curioso!
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