FECHE OS OLHOS E ENTRE

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  Já eram duas da manhã quando Thomas escuta um resmungo estranho, vindo de algum cômodo de seu apartamento. Ele mora sozinho, portanto, ouvir barulhos àquela hora da noite e ainda por cima, vozes, era algo no mínimo estranho. Thomas ouvia hora ou outra pequenos resmungos. E isso já acontecia durante algumas semanas. Até que, numa bela noite, ele decide fazer uma ronda em seu apartamento, para ver se encontrava a causa daquele estranho barulho. Parecia uma voz, mas era sempre inaudível. Até que certa noite, Thomas meio que conseguiu captar algumas palavras. E ele pôde jurar que a tal voz dizia:

 

 

"FECHE OS OLHOS...

FECHE OS OLHOS E ENTRE!"

 

 

  Às vezes ele ia até a cozinha pegar um copo d'água, na tentativa de combater a insônia e voltar a dormir. Mas ele não dormia. Passava a maioria das noites em claro, imaginando o que seria aquela voz. Imaginando se ele estava ficando louco ou se tudo aquilo era mesmo real. Pensou em pedir ajuda no início; mas achou melhor não. A voz podia não gostar. Além do mais, quem é que iria acreditar que aquilo fosse mesmo real e não apenas fruto de sua imaginação?!

  Eis então, que numa fria e chuvosa madrugada de sábado, quando Thomas pensou em levantar e fazer a habitual ronda noturna e lidar com aquela voz, que lhe deixava aflito e tirava seu sono, acontece o inesperado. Suas pálpebras tornam-se pesadas, seus olhos começam lentamente a se fechar. Seu corpo consegue relaxar. E então, ele dorme. E a tal voz... se vai.

-

  Thomas abre os olhos e está em um lugar fechado, com paredes sujas de sangue e um horrível cheiro que parece enxofre. Ele esfrega os olhos na tentativa de acordar ou de algum jeito poder sair dali, daquele lugar fétido e grotesco; mas de nada adianta. Ele dá alguns passos, ainda apavorado, e ao tropeçar em alguma coisa, vira-se para ver o que era. E na sua frente está uma mulher, de cabelos longos, cobrindo parcialmente o rosto. Na parte de sua face que está a mostra, há um profundo corte. E aquele sangue não para de escorrer. De sua boca sai uma gosma negra. Seus lábios eram pálidos, sem cor; o que combinava perfeitamente com sua aparência sem vida. Seu sorriso foi como o de um animal feroz, prestes a atacar. Seu olhar, totalmente obscuro. Suas unhas eram como garras super afiadas. E o pior de tudo: ela parecia estar com sede.

  Thomas tenta gritar, mas o pânico o deixa completamente sem voz. Tenta gritar em pensamento, mas já não consegue pensar em nada. Parece estar em transe. Ele cai de joelhos, sem conseguir controlar seus movimentos. A criatura aproxima a temível face de seu ouvido. Então, pouco antes de arrancar seu coração com uma das mãos, ela o fita de perto, sentindo o medo penetrar seu corpo; célula por célula. E sorrindo de maneira diabólica, lhe diz, quase que num sussurro:

 

"É....VOCÊ ENTROU!"

 



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