O COLECIONADOR

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   Uriel trabalhava em sua coleção. Coletando peça por peça, com muito cuidado, como sempre faz.

— Monstro! Você é um monstro! — ela grita.

— A diferença é que...Monstros não são reais, e eu sou. Sou bem real. — ele sorri como um psicopata; um assassino frio e com coração de gelo. Gelo não, porque gelo derrete. Um coração de pedra; inquebrantável, impiedoso.

   Ele segura aquele dedo como se fosse um troféu. Coloca-o na prateleira correspondente, onde há dezenas de outros dedos expostos. Ele então se aproxima e arranca uma mexa do cabelo dela, o que a faz gritar de dor ainda mais. Deposita a mexa com fios negros na prateleira do meio, onde há vários outros fios, dos mais loiros aos mais negros, e até fios brancos.

— Você é um doente!

— Chama minha arte de doença? — pergunta ele num tom inocente.

— Arte? Você enlouqueceu?! Chama isso de arte? Seu doente imbecil!

— Não me julgue. Só estou fazendo o meu trabalho. Sou apenas um colecionador em busca de novas peças para minha coleção.

— Quero que você se foda e vá pro inferno! Você e toda a sua coleção.

— Não diga isso, Ivone. Você sabe que faço o que faço porque preciso.

— Tá tudo bem. Hoje sou eu, amanhã não mais. — diz ela, calando-se logo em seguida.

   Ele caminha até ela e a pega em seus braços. Então ele chora, apertando-a junto a seu corpo magro e ossudo. Ela para de gritar e ele percebe. O show acabou. Pelo menos, por hoje. Amanhã é um novo dia. E amanhã, Uriel acordará bem cedo, tomará seu café da manhã com os mantimentos que ainda lhe restam, e sairá, em busca de uma nova Ivone.

À procura de uma nova boneca que fale.



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