UM PESADELO

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Era uma madrugada fria e chuvosa e os ponteiros do relógio da parede de Josh marcavam 03h30min. Josh não conseguia pregar os olhos, estava passando por mais uma terrível insônia. Quando isso acontecia, ele custumava sentar em sua cama e ficar observando pela janela a chuva cair sobre uma grande árvore que ficava a poucos metros de seu quarto, cujo ele considerava assustadora. De tanto se remexer em sua cama e ficar de tempos em tempos se sentando para observar a chuva, Josh resolve se levantar, ligando logo a luz do seu abajur azul decorado com caveiras; calça suas pantufas e caminha desviando-se dos obstáculos de roupas espalhadas pelo chão do seu quarto. Ao chegar à porta ele cuidadosamente a abre e caminha nas pontas dos pés, para não fazer barulho, descendo as escadas de madeira silenciosamente até chegar à cozinha.
Chegando lá, ele abre a geladeira e encontra metade de um pudim que sua mãe havia comprado mais cedo. Josh parte um pedaço, sentando-se na bancada da cozinha que ficava de frente a uma janela, cuja visão era do terreno de trás de sua casa. Ele ficou observando a chuva cair, como sempre costumava fazer. Distraindo-se um pouco, Josh derruba um pedaço de pudim na sua calça quadriculada.
– Porra! Minha calça preferida. – Josh exclama, e logo olha para a escada ao perceber que falou muito alto, observando se alguém havia escutado e descido até onde ele estava.
Então ele caminha até a pia, que fica embaixo da janela e limpa a sua calça. Logo após lava o prato que sujou, enxaguando-o depois. Distraindo-se novamente, começa a olhar pela janela, e de repente se depara com uma enorme e assustadora cabeça de porco do outro lado.
– M-mas que mer-rda é essa?! – Josh solta o prato e anda para trás tropeçando nos seus próprios pés e caindo no chão, fazendo um grande barulho na cozinha.
– O que... Que... É isso?!
Arrastando-se para trás, ainda com a respiração ofegante e os olhos arregalados, se direciona ao armário e puxa uma faca. Decide levantar para ver a cabeça de porco, mas ela já tinha desaparecido.
– Isso não pode ser real. – Josh sussurra para si mesmo.
Ainda com a faca na mão, anda para trás cuidadosamente e sai da cozinha. Com a faca apontada para frente com a mão no peito ele anda para trás e se vira para subir às escadas. Quando começa a subir, um vento forte abre a porta de sua casa. Parando, Josh se vira cuidadosamente e aponta a faca para frente, e passa a descer devagar, com a respiração ofegante e suas pupilas dilatadas.
– Q-quem esta ai? – Pergunta com a mão da faca tremendo, mas ninguém responde, então com o pé ele empurra a porta e tranca com as chaves. Dando pequenos passos para trás ainda observando à porta ele esbarra em alguém; assustado, ele vira e da uma facada no braço do homem, e começa a fugir gritando por seu pai, mas ao ouvir um grito, percebe que tinha acabado de ferir o braço do seu pai e que estava sangrando.
– AHH, SEU MOLEQUE MALDITO! – O seu pai grita. - Onde que você esta com a cabeça Josh?
– Carlos? O que houve? – A mãe de Josh aparece na escada de roupão.
– Josh me deu uma facada – ele fala com a voz falhando de tanta dor que está sentindo.
Anne, sua mãe, desce rapidamente as escadas e o leva até a cozinha para fazer o curativo.
– Pai, me desculpe, é que eu vi uma cabeça de porco na janela.
– Uma o que, garoto? – O pai de Josh, sentado sobre a bancada, pergunta enquanto sua esposa faz o curativo.
– Uma cabeça de porco! E-ela apareceu na janela e eu fiquei assustado, e a-ai, a p-porta abriu e ai... – Josh é interrompido por sua mãe.
– Josh, meu filho, eu já lhe disse que essas coisas só existem na sua imaginação. – Anne fala passando a mão nos cabelos do Josh. – Vá para a cama, e da próxima vez que o vê, feche os seus olhos e mande-o embora, o.k.?
– O.K., mãe – Josh concorda e sai da cozinha com a cabeça baixa.
– Não acredito que esse menino me deu uma facada! UMA FACADA! Temos que tranca-lo no quarto. Desde que a sua irmã morreu, ele vive tendo essas alucinações.
– Precisamos ter calma, Carlos. Ele é apenas uma criança e está sofrendo assim como nós. – Anne, sua esposa, fala com uma expressão cansada.
Josh volta para o seu quarto, deita-se na sua cama e cochila, mas logo o seu sono é interrompido ao ouvir um barulho de pegadas no seu quarto. Sentando-se na cama, ele acende o abajur.
– Pai? Mãe? São vocês?- Josh pergunta, mas não ouve nada.
Ele encontra a porta aberta e vai até ela pondo sua cabeça para fora, mas não há nada no corredor. Saindo do seu quarto desce alguns degraus e observa a porta, mas ela continua fechada. Então ele volta para o seu quarto e a tranca , mas ao se virar, ele se depara com o homem da assustadora cabeça de porco. Ele estava vestindo um sobretudo e uma calça totalmente preta e botas. Josh tenta sair do seu quarto, mas é impedido pela porta fechada.
– V-você não é real, certo? – O homem simplesmente balança a cabeça respondendo que não. – Você só existe na minha cabeça... Então SAIA! – Mas o homem não responde. Josh ficava repetindo e fechando os olhos, mas o homem não saia. De repente, o homem põe as mãos no bolso e tira um relógio de pulso de prata enferrujado. O homem passa a balançar para um lado e para o outro o relógio na frente de Josh. Os olhos do garoto passam a acompanhar simultaneamente o relógio, sua vista começando a ficar embaçada... e logo ele apagou.
Josh abre os olhos ainda com a visão embaçada e percebe que esta no chão forrado com um carpete de cor púrpura empoeirado. O lugar tinha um estranho fedor de animal morto e fezes de rato. Ao levantar seu olhar para a esquerda ele encontra uma cama branca. Levantando-se rapidamente observa que as paredes eram pretas, e nelas havia várias manchas de sangue e frases como: JOSH, O ASSASSINO. Haviam também prateleiras cheias de bonecas, cobertas com manchas de sangue. Desviando o seu olhar cuidadosamente para a cama, encontra uma menina com um vestido branco, deitada de bruços com as mãos sobre o peito. Ele ao observar mais de perto, percebe que a menina era sua irmã mais nova, que tinha morrido há seis meses.
– C-CORALINE? – Ele corre e abraça a menina. Com a cabeça sobre ela, Josh começa a chorar, balançando-a para ver se acordava, porém não obtém resposta, nem com um olhar ou uma palavra. Ele abre suas pálpebras, mas os seus olhos estavam totalmente brancos. Assustado, ele se afasta. – Ai meu Deus! Onde estou? QUE LUGAR É ESSE?! – Josh então começa a procurar uma saída.
Ele encontra uma porta branca e logo se encaminha até ela. Girando a maçanete, percebe que ela está solta, e logo a mesma cai. Josh percebe também que suas mãos estão cobertas por um estranho líquido vermelho, que considera ser sangue. Jogando-se no chão, Josh vai se arrastando para trás e bate numa cômoda derrubando um abajur, o lugar fica totalmente escuro. Josh se levanta e ajeita o abajur, ligando-o, então observa uma coisa. A menina de vestido havia sumido. Assustado, ele caminha devagar até a cama, e não encontra nada.
Parado ao lado da cama, Josh sente algo segurando seu pé. Ele fica gelado. Sua respiração cessa e começa a se questionar se deveria olhar para baixo. Josh estava gelado e tremendo de medo. Ele conseguia ouvir as batidas do seu coração. Lentamente, Josh abaixa seu olhar e encontra algo horripilante!
– PUTA QUE PARIU! – Ao observar quem estava debaixo da cama era o homem da cabeça de porco, começa a chorar, e vê a mão direita do homem segurando a cabeça da pequena Coraline, porém, seus olhos haviam sido arrancados e sua boca estava arregaçada! O sangue descia sobre os seus olhos como lágrimas. O homem com a cabeça de porco dava uma risada maléfica e a menina sussurrava: Socorro, Josh!
Do nada, sua vista escurece.
Josh acorda ofegante, suado e com o seu coração acelerado e dá um pulo da cama. Ele se levanta rapidamente, porém percebe que está novamente em seu quarto e que o seu despertador estava tocando. Eram 06h00min da manhã e era a hora de ir à escola, então Josh se ajoelha no chão e passa a chorar.
– Que pesadelo horrível, meu Deus! – Ainda chorando com o seu rosto no chão, porém com um ar de alívio.
Levantando-se do chão, caminha até o banheiro e acende a luz. Liga a torneira e lava seu rosto, e ao olhar no espelho vê que seu rosto está sujo de sangue. Suas mãos também estão cobertas de sangue. Assustado, sai do banheiro e corre até o quarto dos seus pais, mas ao abrir a porta eles não estavam lá, e olhando para o chão vê pegadas de sangue.
– Não pode ser! – Josh segue as manchas de sangue pela casa, descendo as escadas e indo até a sala. Ao chegar à sala, Josh encontra partes de corpo humano. Havia braços e pernas pelo chão. Ao olhar para a parede, ele fica paralisado, pois não podia acreditar no que estava vendo. Na parede da sala, estava à cabeça do seu pai pendurada, sem os olhos e com a boca arregaçada, como a da sua irmã, e do lado havia a cabeça de sua mãe, também sem os olhos e com a boca arregaçada. No meio das duas cabeças havia escrito em sangue: TODOS OS MONSTROS SÃO HUMANOS!

 



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