A ANFITRIÃ

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    Só pelo fato de ser mulher não significa que eu também não possa ser uma assassina em série. Sim, sou uma assassina; e não tenho problema algum em admitir isso. Até porque, nunca entendi muito bem o fato de todo e qualquer assassino ser julgado por ser mau e inescrupuloso. Por não merecer ter uma vida comum, e os mesmos direitos que o restante da sociedade, que carrega um assassino dentro de si e não tem coragem para admitir e lidar com isso.

    Por eu ser mulher, as pessoas acabam nunca desconfiando de mim nem duvidando da minha palavra. Coitadas! Mal sabem elas que minha sede cresce a cada instante. E que muitos assassinos do sexo oposto acabam perdendo para o meu profissionalismo e minha determinação. Os homens acabam caindo antes, graças ao fato de eu ter sido presenteada com uma beleza que me abre portas.

    A maioria das mulheres têm inveja de mim, e algumas delas, gostariam de ter o que eu tenho. Uma casa de frente para o mar, um marido atencioso e rico, nenhum filho para incomodar, nenhum animal de estimação, armário super lotado, noites de amor intensas, sexo quase todos os dias. Uma vida perfeita, é o que muitos diriam ao se deparar com a minha. Mas eu não. A verdade é que por mais que eu tente, não consigo me sentir feliz, sabe? Porque para me sentir feliz, preciso antes de tudo, me sentir realizada. E minha satisfação está em ver a morte chegando, nos olhos de cada uma de minhas vítimas, desesperadas e com medo. E acima de tudo, perplexas pelo fato de ver que o assassino é, na verdade, uma linda mulher. "O sexo frágil". Bom, parece que nem tão frágil assim, não é mesmo? Eu sou a prova disso. Mato por paixão; por hobby. Um modo de me entreter e de me sentir relaxada.

    Hoje receberei em minha casa um casal amigo nosso. Na verdade o convidado tem negócios em comum com meu marido, e sua linda esposa o acompanhará num jantar lá em casa. A verdade é que parte de mim nem liga para esse jantar. Nem para os negócios de meu querido marido. Tudo o que eu quero é que esse jantar não dure mais que o necessário. Que acabe logo. E então, poderei escolher minha presa. Mas acho que escolherei ela. Afinal de contas, meu marido é um homem bom, e não quero acabar interferindo nos negócios dele.

    Está na hora de ir pra casa. Com esse trânsito de dar nos nervos, é bem provável que eu chegue em cima da hora. Bem, antes tarde do que nunca. Mal posso esperar. Minhas mãos seguram firmemente o volante, enquanto minha cabeça viaja entre as várias possibilidades. Como será que devo matá-la? Bom, ainda não me decidi, mas tenho certeza que até chegar em casa já terei pensado em algo bem original. Originalidade é sempre bem-vinda. Enfim, é hora de ir pra casa e bancar a anfitriã. Depois disso, é hora de entrar em cena no momento certo; fazendo mais uma vítima e acrescentando mais um nome à minha enorme lista.

 

 



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