O livro vermelho - O Temido John Collier I

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                                                                                                 Conto I
                            Es o que os moradores de Austwell, no Condado de Refugio, Texas, ouviram seus próprios medos pela primeira e última vez em suas vidas miseráveis, antes mesmo que o primeiro trovão castigasse aquela terra amaldiçoada. Eu seguia John Collier a pouco mais de quatro meses, e mesmo assim não conseguia me acostumar com tantas atrocidades cometidas por ele, eu não podia fugir é claro, já havia tentando várias vezes, mas nunca consegui ir mais além do que alguns poucos quilômetros, é como se ele tivesse me enfeitiçado ou algo do tipo, no começo não conseguia nem dormir, esperando o momento onde ele me mataria, mas as noites se passaram e acabei fazendo parte daquela canção, eu me tornei escritor das mais terríveis histórias daquela besta.
                            Estava frio, John acabará de acender seu primeiro cigarro naquela cidade, e olhando para todos aqueles corpos mutilados de homens e mulheres seminus, misturando-se com várias garrafas de bebida quebradas ao chão, me encarou e sorriu. Aquela cena bizarra parecia diverti-lhe. Logo um pensamento novo parecia surgir em sua cabeça e que o deixou bastante entusiasmado. Ele apanhou seu chapéu encardido e sua bolsa velha e caminhou suavemente para fora da taberna.
                           Um relinchar de cavalo seguido de um suave trote parecia vir de algum lugar daquela escuridão. A noite fria e perversa parecia engoli-lhe por inteiro, e pouco a pouco essa imagem, que mais parecia um agouro, se revelou sombria aos últimos sete moradores da cidade que se esconderam nas minas.
                           John surgiu silencioso como que vindo das sombras, mas seu olhar revelava intenções maníacas. Não tardou a começar sua dança letal com as lâminas, e a primeira nota de sangue soou desafinada após a garganta que a soprou está totalmente retalhada.
                           Sangue tornava-se parte daquelas paredes de pedras, quando a primeira cabeça foi totalmente decapitada, havia muita perícia naquele movimento, era como se houvesse um medico e um açougueiro unidos em um único homem. Horror era o que fluía nos rostos das outras seis pessoas que viam-se encurraladas como cordeiros frente ao lobo. Um homem gordo e de barba espessa tentou atirar em John com seu revólver quando saiu do estado de choque, no total foram disparadas quatro balas contra o rosto de John, mas balas pareciam não o ferirem. Ele lentamente caminhou contra o homem, que tropeçou ao ver o súbito avanço, John se abaixou sobre o homem ainda no chão, muitos gritos cortaram a noite, naquela posição ninguém podia ver exatamente o que John estava fazendo, mas eu sabia muito bem, ele estava abrindo o peito daquele homem devagar, mesmo com toda a resistência e os murros, John expunha pouco a pouco as tripas do pobre homem até que só silêncio cobria aquele cadáver, eu podia imaginar seu crescente sorriso manchado de sangue. Já no final dos gritos, com o penúltimo cadáver se debatendo ao chão, mostrando ser capaz de ejetar uma quantia surpreendente de sangue, o inacreditável aconteceu.
                           John limpava sua lâmina no casaco sujo daquele corpo suavemente, com suas tripas ainda provando seu valor a terra. Ele caminhou em direção a sua última vítima daquela noite, uma menininha loira, suja e de olhos cinzentos, ela o aguardava de pé sem qualquer emoção, quando John se aproximou, seus olhares se cruzaram. Aquilo certamente não era só uma menininha indefesa, não... havia algo naquele olhar, algo que só se comparava com o seu próprio olhar, algo que não poderia ser chamado de alma, algo que o confrontava mostrando suas pequenas garras. Aqueles pequenos olhos que para muitos era sinal de inocência escondia algo que John conhecia muito bem, era o cheiro da ânsia por aço e sangue que ali o encarava.
                           Quem não conhece bem John Collier, certamente diria pela sua expressão que um sentimento quase humano nunca antes sentido por ele estava a invadi-lo, o que se fosse real o deixaria com náuseas. Mas não, aquilo era diferente.
                            John se flagrou maravilhado com aquela coisinha loira, ele já havia presenciado aquela mesma cena, inúmeras vezes durante eras, mas aquilo sempre o deixava meio confuso, apesar de também bastante divertido.
                            Na manhã seguinte, antes mesmo que o primeiro raio de sol surgisse, Deixamos a cidade. John parecia ainda mais enigmático. Ele olhava fixo para o horizonte enevoado ao mesmo tempo em que acariciava um embrulho ensopado de sangue contendo uma cabeça e muitas mechas de cabelos loiros.



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