Prazer impossivel

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                                                                                                Prazer Impossível

Como eu odeio o calor, três dias sem dormir e essa merda não acaba, desde pequeno não consigo aguentar esse maldito clima, parece que estou derretendo feito geleia . Pelo menos ainda tenho cigarros e cerveja comigo, meus únicos amigos de verdade que me seguirão ate o túmulo, nenhuma mulher me fez sentir nada até hoje, mesmo as conhecendo tão profundamente.

Já se vão sete meses desde que deixei a "caixinha de pedras e ferro", era assim que meu companheiro de cela chamava aquele lugar, uma forma afável de chamar a cadeia, lá dentro era como aqui fora só que em forma reduzida, tudo que passamos lá dentro é um reflexo direto do que fizemos aqui fora. Atrás das grades é onde se descobre o verdadeiro ser humano que cada um é, a pequena comunidade de aberrações que se cria em um ambiente fechado, lá dentro eu não fui recuperado em nada, apenas aprendi formas novas de perpetuar meu "oficio". Ate hoje não sei qual intenção alguém tem em querer me recuperar, um cão não deixa de gostar de ossos só porque alguém não quer que ele goste, isso é instintivo, já vem de dentro como uma Fenilcetonúria.

Era terça feira, decidi sair da solidão do apartamento, acendi um cigarro e desci as escadas ate chegar à rua pela parte de trás do prédio, era mais discreto, não gosto de ser visto andando por aí, alias nem eu nem as autoridades gostam, melhor pra mim que nenhum filho da puta desses cruze comigo mesmo, não quero voltar pra "casinha" antes da noite acabar. Andei cinco quadras e já havia visto ela à um dez metros a frente, tarde da noite era comum as ruas vazias, não sei de onde ela estava a vir sozinha mas isso era o que menos importava agora, percebi que ela apertou o passo então já havia me visto, ótimo, eu desacelerei e esperei virar a esquina, quando a perdi de vista pude analisar o ambiente e saber que estava limpo pra mim. Cheguei na esquina, já avistava ela novamente, corri ao encontro do seu pescoço como um vampiro sedento, a lamina encostou na sua jugular e antes que houvesse qualquer grito eu tapei sua boca com um lenço.

O desespero era visível, ofegante, uma gota de suor escorreu ate a ponta da lâmina sussurrei ao seu ouvido e pude sentir o cheiro do desespero, era como se eu fosse um deus, tinha o destino de um ser humano nas mãos, ela ainda teve tempo de balbuciar algumas palavras:

- Leve meu dinheiro, meu relógio, qualquer cois...

- Shii, não sou um desses, apenas quero a sua companhia!

Ela já perdia suas forças, já não se debatia mais, apenas esperava o momento certo para tentar fugir de mim, em vão, já sei qual atitude elas irão tomar, todas são iguais, como moscas que caem na teia de uma viúva negra, elas se debatem mas sabem o que esta por vir. Voltei pelo mesmo caminho que havia feito antes, só que agora com uma bela companhia, entrei pela parte de trás do prédio, subimos as escadas, ela assustada, mas sempre calada, já que sabia que qualquer movimento errado seria apenas um adianto do que inevitavelmente viria a seguir. Entramos no apartamento, ela escorria lagrimas já negras da maquiagem.

- Calma só quero sua companhia, já disse, não sou um monstro.

Monstro não, eles ainda são bonzinhos, eu não tenho tempo para bondade, o cabo do punhal foi como um sonífero para ela, apenas um golpe e ela já se esvaiu no chão. Ao acordar já era uma presa em minha teia, atada pelos membros e nua, tinha os cabelos esvoaçados como as mulheres das pinturas de George Bulleid, quase ruivos por completo, seios pequenos e pernas torneadas, só não via sua boca por completo porque havia amarrado com uma camisa velha . Abri minha caixa de ferramentas e as pus sobre a mesa como os instrumentos de um cirurgião, peguei o bisturi .10, afiado como nenhum outro, abri seu esterno lentamente em uma incisão leve, mas que a fez soltar um guincho agudo e revirar os olhos de maneira teatral. Foi desmaiando levemente ate perder as forças por completo.

Já havia aberto seu tórax por completo, já poderia enxerga-la por dentro, como ninguém havia visto antes, foi a mais linda que já vi também, nenhuma outra havia me tocado assim, provavelmente não fumava e nem bebia devido tanta beleza de suas vísceras, senti naquele momento que estava apaixonado, encontrei o que tanto procurava, uma mulher de verdade. Seu sangue já banhava a sala, ela já se apossava da casa, já se sentia uma moradora também, seu coração já não batia mais, já era minha por completo. Amarrei sua carne com linhas de pescador de forma a abri-la toda pra mim, ela era só minha agora, ninguém estaria entre nós, ela era diferente das outras. Abri a sua boca e com um corte rápido arranquei sua língua, não se preocupe eu a guardarei pra você.

Lembrei-me da Águia de Sangue, só que de forma invertida, era uma posição tão bela, nunca havia feito um trabalho tão bom quanto esse, cheguei ao nível profissional que nunca havia alcançado, minha sala agora era seu santuário, tirei uma foto para eternizar esse momento, já não poderia deixa-la ali, então lentamente a desmembrei parte por parte, havia de encontrar uma forma de guarda-la comigo para sempre. Primeiro os braços, depois pernas, tórax, e por ultimo sua cabeça, já não olhava mais para mim, mau das mulheres, coloquei todos os pedaços em sacos de lixo reforçados, já tinha um lugar especial no meu quarto para guarda-los. A cabeça eu deixo na minha cama velha, acordarei todos os dias olhando para ela e contemplando sua beleza.

Triiiimmmm.

De novo esse sonho, não aguento mais, já são dez anos nessa porra de lugar e ainda restam vinte, e toda noite esse sonho, infelizmente não poderei mais ter esse prazer como antes, somente em sonhos que ainda me libertam desse lugar.

Como eu odeio o calor...



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