BRINCADEIRA PERIGOSA

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-Mamãe por favor! Estou morrendo de medo, eu sou a culpada pela morte da minha amiga Júlia, que morreu lá no cemitério da rua de cima. Eu sou a responsável pela morte da família dela!

-Do que você está falando minha filha? Fique calma e me conte o que aconteceu.

-Mamãe, eu e Júlia fizemos uma brincadeira que vimos na internet que todo mundo estava fazendo, é uma brincadeira com lápis onde você faz perguntas para um espírito chamado Charlie e ele te dá as respostas. Ele matou a Júlia e matou toda a sua família, agora ele vai vir me pegar, eu sei disso mamãe!

-Jéssica minha filha estas coisas não existem. Assim com bicho papão, loira do banheiro,brincadeira do copo,etc. Reze um pai nosso e uma ave Maria que isso sai da sua cabeça,você só está impressionada. Logo o assassino que matou sua amiga e os pais dela será preso. E pare de ficar vendo estas bobeiras na internet!

No dia seguinte, ao pegar o mesmo caminho que ela fazia todos os dias para ir até a escola,Jéssica passou em frente ao cemitério onde sua amiga Júlia tinha falecido junto com seus pais. Ela sentiu muito medo, nem sequer olhou para dentro do cemitério. De repente viu um lápis caindo em sua frente, bem devagar, ele tinha sido jogado por cima do muro do cemitério,ele tinha saído de lá de dentro. No lápis estava escrito ''Charlie está vindo''. Estava escrito em vermelho com algo que parecia sangue seco.. Jéssica ficou com medo e aumentou seus passos para sair da frente daquele cemitério bizarro. Mal ela sabia que seu medo iria aumentar,mais a frente uma mão pálida e com as unhas sujas de lodo saiu de um dos buracos rente ao chão que havia na parede do cemitério temido. Ela gritou e correu de volta para sua casa,nem sequer teve coragem de ir até a escola.

A menina chegou em casa chorando e apavorada,procurando por sua mãe. Ela subiu as escadas do sobrado e viu que no final do corredor que dava para os quartos, havia uma menina vestida com um pijama sujo, segurando um ursinho de pelúcia com a cabeça cortada, pendurada por alguns fios e algodões que faziam parte da sua estrutura sintética.

Jéssica se tremeu inteira e urinou em sua calça da escola. Ela correu para o seu quarto e se enfiou embaixo das suas cobertas. Alguns segundos depois ela ouviu um barulho estranho no corredor, vinha de uma motoquinha de brinquedo que andava lentamente em direção ao quarto de dela. O medo da menina só aumentava. De repente o barulho parou e ela decidiu olhar para ver se tinha algo no quarto dela. Ao colocar a cabeça pra fora da coberta Jéssica viu que não tinha nada no quarto e que apenas a motoquinha de brinquedo estava no meio de seu dormitório,como se alguém a tivesse colocado ali.

A pequena olhou em volta do quarto e não encontrou nada. Mas ao olhar para a sua janela, ela viu que lá estava escrito com sangue as palavras ''Charlie'' e ''Belial'. A garota tremeu e gritou pela mãe. Foi nesse segundo que ela ouviu um grito estridente seguido de uma risada de criança. Jéssica decidiu olhar se havia algo embaixo de sua cama, ao olhar ela viu que a cabeça de sua mãe estava lá, toda ensanguentada e sem o restante do corpo. Ela gritou em desespero e se cobriu até o rosto novamente. Passados alguns minutos ela decidiu sair das cobertas e ver novamente seu quarto. As lágrimas escorriam pelo seu rosto de menina. Estava se culpando por tudo aquilo, sabia que o demônio da brincadeira do lápis iria se vingar e buscar ela,assim como havia feito com sua amiga Júlia. Ao sair das cobertas ela viu que sua cama estava no meio do cemitério onde as mortes haviam acontecido. Aquilo parecia um pesadelo terrível. Jéssica se desesperou e gritou para aquilo tudo acabar. Após o grito, viu sua amiga Júlia com sua roupa suja de terra e sangue, com as cabeças de seus pais,uma em cada mão.

Seus olhos eram negros como os de um demônio e lhe disse com uma voz macabra:

''Vim te buscar, Jéssica. Hoje você vai morrer e sua alma será minha. Iremos brincar no inferno com os nossos pais''. Júlia subiu na amiga devorando todo o seu rosto.



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