CONTO DE NATAL

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O bom velhinho limpa sua barba engordurada com as banhas de um porco assado que neste momento estufa as suas entranhas de um glutão. O pobre suíno agora se desfaz no suco gástrico daquela barriga morbidamente obesa,Papai Noel nem se deu ao trabalho de abater o animal para se servir dele como alimento. Estraçalhou o pobre leitão com suas mandíbulas velhas. O sangue se misturou com o sebo da barba branca daquele homem imenso e engordurado com o seu suor.

Sua mesa era gigante e estava montada para as festividades natalinas. Além do leitão que acabara de ser devorado pelo Papai Noel, havia ali intestino frito de anões,retos cozidos de elfos, leite de fada virgem,manjar de vaga lumes, suco de urina de alce.

Ao lado da mesa que ficava no grande salão de eventos dentro da suntuosa mansão de Papai Noel strippers élficas dançavam de forma sensual e semi nuas. Elas se beijavam de forma excitante como num ritual sexual mágico. Anões carrancudos tocavam uma música primitiva para animar o ambiente. Pudim de lágrimas infantis era servido de sobremesa. Papai Noel cheira um Pó cor de rosa numa bandeja dourada,suas pupilas se dilatam . Logo em seguida ele oferece a bandeja com a droga para a sua rena preferida, Rudolph, a rena que tinha o nariz vermelho causado pelo vício extremo naquele pó cor de rosa. Eles inalavam a droga todos os dias.

Ambos bebem cada um com o seu caneco , uma mistura de whisky com coca cola. Os dois são amigos de longa data,algumas más línguas na região da Lapónia dizem que ambos são amantes. As histórias contam que Rudolph se apaixonou por Papai Noel após levar anos de chicotadas em seu lombo. O povo da região diz que Rudolph e Noel se completam numa relação sadomasoquista. E a história tem um lado macabro, pois conta que a Mamãe Noel descobriu a relação zoófila dos dois e ficou extremamente desapontada com o bom velhinho. Após a descoberta do caso amoroso Noel teria esquartejado a velhinha colocando os pedaços picotados dentro da geladeira para depois consumir a carne de sua esposa assassinada. O que se sabe é que Mamãe Noel nunca mais apareceu na região polar desde que Rudoplh foi morar na grande mansão deixando o estábulo gelado para as outras renas.

Papai Noel compartilha com Rudolph o vício em heroína. Todas as noites de sexta feira ambos são vistos nos becos do bairro São Nicolau comprando a droga do grande traficante Krampus, o demônio do natal. Krampus também é o responsável por trazer crianças da China e da África para trabalharem como escravas nas fábricas de brinquedo do velho Noel. Estas são as suas preferidas, pois segundo ele são as que trabalham mais e as que choram menos, pois conseguem agüentar mais os castigos os quais são submetidas.

Os dedos das crianças menos produtivas são arrancados para servirem de enfeite na grande árvore de natal que fica no centro da sala na residência de Noel. Aquelas que sucumbem ao trabalho pesado são sacrificadas e servidas nos jantares do grande velho comilão.

Seu trenó vermelho é roubado e foi totalmente adulterado para não chamar a atenção. Ele funciona a base de gás metano. Há um cano acoplado no banco onde Noel se senta para conduzir o seu veículo. É dali que vem o combustível, onde o velho peida alimentando de forma potente os motores falsificados do trenó. O veículo possui um número infinito de multas, pois o seu condutor não tem a mínima preocupação em conduzir embriagado e extremamente drogado.

As renas surgem lentamente do estábulo, são mulheres e homens velhos com os corpos enrugados, cheios de pelancas e todos estão nus. Em suas cabeças usam chifres de renas de plástico numa imitação fracassada dos chifres reais. Seus corpos frágeis e enfraquecidos pela idade avançada enfrentam dificuldades para puxar o trenó mágico. Noel estala o chicote dezenas de vezes nas costas daqueles idosos fragilizados. Talhos enormes são abertos naquelas costas envelhecidas. Alguns caem no chão, pois estão abatidos pela dor e pela fraqueza. As mulheres trazem sinos amarrados nos bicos de seus mamilos, bem na ponta de seus seios moles e caídos. Os homens trazem sinos amarrados em seus sacos murchos e enrugados.

Do lado de fora da mansão um coral de crianças chinesas e africanas que acabaram de sair do forno cantam belas músicas natalinas. Suas peles destruídas estão totalmente enegrecidas pelas queimaduras, seus corpos carbonizados estão envoltos em uma nuvem de fumaça que demora a se dissipar. O cheiro de carne humana queimada paira no ar trazendo lembranças de um belo dia de churrasco com os amigos. As crianças utilizam pequenos gorros natalinos chamuscados pelo fogo do forno. Elas cantam grandes sucessos natalinos que são de domínio popular como ''Querida esfaqueei as crianças'', ''Essa noite vou me embriagar e vomitar nas visitas'', '' Marretadas da meia noite'', ''Sangue do cordeiro'', '' Gargantas abertas para o amor''.

No céu surge o grande falo divino descendo das nuvens. Secretamente ele invade uma casa humilde onde dormem um casal. Sorrateiramente ele estupra a jovem mulher que ainda é virgem, ela é a esposa do rapaz que dorme ao seu lado. Ambos não sentem a presença do falo dourado que volta para os céus da mesma forma como ele veio. A mulher não percebe que agora ela carrega em seu ventre um bebê,fruto de um abuso sexual cometido pelo grande falo celestial. O bebê sagrado veio a este mundo para salvar os coelhos e as lebres. Ele reinará triunfante em seu trono feito de panetone mofado...

A neve cai, o frio congela os pés das renas que não conseguem caminhar. Elas tropeçam em sua própria velhice. O trenó flutua pelos céus mundo a fora. Uma caravana de pequenos duendes diabólicos seguem Papai Noel,eles dançam no ar,perto das estrelas se embriagando com o vapor tóxico das nuvens ao som da flauta macabra de Pã.

Em cada residência visitada por Papai Noel na noite mágica , ele deixa um bolo de fezes repleto de vermes, em outras ele enche de aranhas e lacraias venenosas. Deixa cabeças decapitadas como enfeites nas árvores de natal das casas que ele invade. Para algumas famílias ele toca a serenata da lâmina do machado em seus corpos, em outras ele arranca os olhos de cada membro da família para terminar de preencher o seu colar de globos oculares. Em baixo das árvores de natal ele deixa caixas com presentes especiais, elas estão recheadas com vírus da varíola,peste negra,sífilis e outros terrivelmente mortais que ainda são desconhecidos por nós.

Uma multidão se aglomera para reverenciar um cadáver que está crucificado com suas entranhas expostas, pois se abdome foi aberto por uma foice. Corvos negros bicam seus olhos e seus intestinos dependurados naquele corpo imóvel e em decomposição. A multidão se debate e tromba uma nas outras transformando aquela cena num caos tragicômico. Os olhos e as bocas daquelas pessoas estão costurados deixando-os cegos e sem palavras para serem ditas naquele ritual de adoração sagrado. Um homem com cabeça de burro sobe num palanque e discursa para aquelas pessoas cegas e sem bocas. Ele tira de seu bolso notas de dinheiro com o desenho do cadáver crucificado de um lado e do outro lado na cédula o desenho do Papai Noel sem suas roupas natalinas cheirando uma carreira do pó rosa na virilha de uma stripper.

Crianças vestidas com roupas protetoras de borracha usando máscaras antigás, dispersam a multidão utilizando seus lança chamas. Os pequenos se divertem queimando aqueles corpos decadentes e fanáticos. Pã surge na copa das árvores tocando sua flauta com uma canção doentia e alucinante.

Uma família se reúne para a ceia de natal, o jantar está na mesa,velas acesas,iluminação perfeita,cheiro de carne assada,presentes na árvore de Natal.

As crianças sem rosto cercam a residência, a família reunida olha assustada para aquelas pequenas cabeças na janela. Em suas mãos infantis elas trazem machados,punhais,lança chamas e moto serras. Ao fundo é possível ouvir os sinos batendo e as renas do trenó do Papai Noel chegando para mais um natal. O bom velhinho olha na direção das crianças sem rosto que cercam a casa e lhes diz:

''Que comece o massacre''.



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