RÉVEILLON EM TEROAREA

1 1 1 1 1 Rating 0.00 (0 Votes)


Para compartilhar nas redes sociais, clique aqui:

Três horas da manhã

Eu me levanto e vou até o espelho do banheiro

Com as luzes apagadas eu o encaro

Chamo pelo Senhor 13 por treze vezes

E ele aparece bem na minha frente

O seu rosto corroído pelo tempo

Seu sorriso diabólico

E o seu relógio feito com couro humano

Pulas em seu braço

Marcando treze horas

Ele me puxa para o outro lado

O vidro do espelho corta minha pele durante a travessia

Senhor 13 olha pra mim e diz

''Aproveite que hoje é reveillon aqui em Teroarea''

Ele desaparece no interior de seu umbigo

Seu corpo é sugado para dentro de si

Apenas um pequeno anel em forma de umbigo cai pelo chão

Uma gargalhada negra perfura meus tímpanos

Uma voz sussurra em meus ovuidos

''aqui é Teroarea,terra da dor e do prazer

O inferno dos mortais,o pesadelo das crianças

O reino das almas malditas

O império de Lúcifer

E hoje é o nosso ano novo

Bem vindo a nossa festa''

Uma nádega gigante aparece no meio das nuvens

Ela defeca um arco íris que ao descer do céu

Toca o horizonte do vasto litoral de Teroarea

O mar é vermelho

Toda aquela faixa litorânea é banhada de sangue

As ondas são rosadas como a espuma de champanhe

Ela traz vísceras e membros humanos dilacerados para a praia maldita

Sua areia é negra coberta com pequenas conchas

Trazem o desenho de expressões humanas de desespero em sua superfície dura

A brisa do mar infernal traz o odor de morte e de fezes

Pequenas crianças com o corpo de camarão correm pela praia negra

Mulheres com tentáculos de lula passam em seus corpos tinta negra de polvo

Enquanto se bronzeiam com a luz do Sol morto

O céu é cinza e escuro

As nuvens estão carregadas com chuva ácida

O ar de Teroarea é contaminado com chumbo e plutônio

A radiação criou inúmeras mutações na população bestial daquela local amaldiçoado pela terrível imaginação humana

As criaturas se preparam para a festa de reveillon

Os mais velhos tem seus corpos fortemente amarrados

Suas bocas são preenchidas com fogos de artifício

Bebês com cabeça de enguia são jogados no mar sangrento

Para que suas ondas mortíferas os carreguem para servir de oferenda

Ao demônio Leviatã rei soberano daquele oceano de decadência

Figuras humanóides se juntam na negritude do litoral de Teroarea

O rei de amarelo espalha idéias pervertidas nas mentes das criaturas bestiais

Uma orgia bizarra se inicia sobre as areias escuras

Seus corpos são magros e doentes

Cobertos de feridas purulentas e gangrenadas

Eles não possuem pelos em seus corpos esbranquiçados

Assemelham-se a lagartos em decomposição

Eles não possuem olhos e em suas bocas são maiores que a de um humano normal

Não apresentam lábios em suas gengivas fétidas trazem escamas prateadas

Talvez por isso o cheiro forte de peixe apodrecido

Milhares deles estão em minha frente

Copulando de maneira selvagem

Um bolo gigantesco de figuras dignas de pena se amontoa na areia preta

Da praia de Teroarea

Os pênis das criaturas se assemelham a lâmina

Penetram as vaginas de arraias dos seres femininos daquela espécie macabra

Todos eles guincham como suínos no cio

O cheiro de suor,fezes ,peixe morto e carne podre toma conta do ar

Uma chuva ácida e contaminada com a radiação cai do céu

Queimando os corpos daquelas criaturas

A dor se une ao prazer da orgia

Aumentando seus gritos infernais

Pássaros baratas sobrevoam seus corpos umedecidos

Defecam sobre suas cabeças insanas pelo sexo

O senhor 13 surge ao meu lado e me mostra o seu relógio de carne em seu pulso

Agora faltam apenas alguns segundos para a meia noite

O ano novo em Teroarea se aproxima

Atrás da orgia maldita surgem outras criaturas estranhas

Seus pescoços são alongados como de avestruzes

Seus corpos são cobertos por penas negras

Suas pernas são finas e compridas

Cobertas por rugas idênticas as das pernas dos galináceos

Suas asas ficam em suas costas e são feitas por uma junção de seringas

Presas em fileiras, uma atrás das outras

As cabeças daqueles seres são pequenas e viscosas

Assemelham-se a lesmas com olhos pontiagudos que se movimentam para todos os lados

De suas cloacas seus intestinos são expelidos

Formando uma cauda enorme de carne e sangue

De repente aquelas caudas feitas de seus próprios intestinos

Abrem-se como se aquelas criaturas fossem pavões

Formando uma enorme fileira de leques intestinais abertos

A luz negra do Sol morto reflete nas caudas daquelas criaturas

Trazendo um brilho único e avermelhado de carne

As criaturas na areia chegam ao orgasmo coletivo

As caudas intestinais dos pavões satânicos chacoalham no ar

Os rojões estouram as mandíbulas daqueles que estavam amarrados aos fogos de artifício

As ondas do mar de sangue se agitam trazendo mais vísceras e mais membros cortados

Do interior do oceano macabro

Senhor 13 surge ao meu lado e segura em minhas mãos

Deseja um feliz ano novo para mim

Retira seu olho de vidro de seu globo ocular

Retira uma taça de vidro que guardava em seus bolsos

A coloca em minha mão esquerda

Inclina a sua cabeça

Do buraco de onde ele retirou seu olho de vidro

Um líquido dourado e espumante cai em minha taça

Ele diz para eu beber aquilo

Percebo que se trata de champanhe

Bebo e a saboreio

Senhor 13 coloca seu olho de vidro como se ele estivesse tampando a garrafa de seu champanhe

O agradeço e lhe desejo feliz ano novo

É meia noite

Chegou o reveillon em Teroarea

Uma noite eterna e inesquecível

Senhor 13 diz que preciso voltar

Ele me segura com uma de suas mãos e me joga de volta para a passagem de onde eu vim

Atravesso o meu espelho

Percebo que estou em meu banheiro novamente

Olho para traz e vejo que não há nada mais além de meu reflexo

Ouço estrondos na parte de fora da minha residência

Corro para ver o que é

Talvez sejam os fogos de artifício, pois hoje já é dia 31 de dezembro.

Olho pela janela para o lado de fora da casa

E vejo um exército de bestas sem olhos e pele de lagarto marchando pelas ruas

Pavões com caudas de intestino exposto dilaceram as pessoas caídas pelo chão

No horizonte um cogumelo gigante de fogo cresce se aproximando

Uma explosão nuclear se aproxima com extrema velocidade

Corro para me proteger em meu banheiro

Olho para o espelho e

Vejo que não sou mais a mesma pessoa

Vejo que possuo agora outro rosto

Eu tenho neste momento a face do Senhor 13

E em minha testa está escrito

''Você é Teroarea, feliz ano novo Senhor 13''



Para compartilhar nas redes sociais, clique aqui:

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar

© Contos de Terror - Letras de Sangue | Design by: LernVid.com