O TÚMULO

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O TÚMULO

 

   Ele já estava em frente ao cemitério. Tirava o celular do bolso a cada minuto, esperando ansioso por ela. Estava nervoso. Seu corpo parecia agitado, suas pernas tremiam. Cada minuto de espera parecia uma eternidade, enquanto ele tentava controlar sua respiração e seu ritmo cardíaco. Até que, depois de exatos 23 minutos, ela chegou. O cumprimentou com um beijo no rosto e um abraço. E então perguntou:

"Você já entrou?"

"Não. Não conseguiria fazer isso sozinho."

"Tudo bem. Estou aqui pra isso. Pronto?"

"Vamos descobrir."

   Então os dois entraram. Rodearam túmulos altos e baixos. Vez ou outra faziam uma pausa, antes de seguir no que seria a direção certa. Enquanto se aproximavam, ele pensava em desistir. Em dar meia volta e sair correndo dali, e nunca mais voltar. Mas conviver com a dúvida seria pior que a morte. Ele sabia disso. Então continuou andando ao lado dela. E quanto mais perto eles chegavam, mais devagar ficavam seus passos. Ela sabia que havia chegado a hora. Ele finalmente teria que dizer que ela estava certa, esse tempo todo. E acabar encarando a verdade.

"Tá legal, feche os olhos."

Ele obedece.

"Tudo bem, segura a minha mão."

   E assim ela o guia até o túmulo que estavam procurando. Ela encara a sepultura e não consegue conter as lágrimas. A verdade sempre dói. Mas o que fazer quando além de dolorosa, ela acaba se revelando um tanto assustadora? Ela sabia o que aconteceria assim que ele abrisse os olhos. E mesmo assim, não havia como voltar atrás.

"E aí? Já posso abrir os olhos?"

"Pode" – responde ela com a voz embargada.

   Então ele abre. E encara por um instante a sepultura. Ele observa a fotografia em preto e branco, com algumas flores ao lado. E ele quase não reconhece aquele rosto.

"Você precisa ir." – Diz ela, já quase sem voz de tanto chorar, espremendo os olhos com força na tentativa de se livrar das lágrimas.

"É, eu preciso."

E quando ela abre os olhos, ele já não está mais ali.

 

– Giliarde Felipe



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