Confissão

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A igreja já estava vazia, o padre já despia sua estola de modo a dobra-la na intenção de guardar, no corredor ouviu passos lentos de sapato social, alto e de voz estridente bradou:

- Quero me confessar padre!

- Sim filho, sempre há tempo para se redimir dos pecados! Disse o padre com um leve sorriso de satisfação e já adentrando a cabine.

- Padre eu pequei!

- O que lhe aflige? Perguntou o padre na esperança de ouvir algo como pensamentos inapropriados ou infidelidade conjugal.

- Eu os matei! Novamente sucumbi ao meu desejo, à voz dentro da minha cabeça me mandou e eu fiz!

Assustado, o padre tentou manter a calma.

- Como isso aconteceu filho?

- Eu entrei na casa deles, todos dormiam, eu só tinha uma faca e uma chave inglesa, foi assim que a voz mandou fazer, primeiro fui ao quarto do casal, fui objetivo, cortei a garganta dela e antes que ele se desse conta do que acontecia, repeti o ato.

Espantado, o padre tentava segurar seus batimentos, e ele continuou a narrar à noite macabra que se passara.

- o sangue molhou todo o colchão e esguichava nas paredes como se fosse uma mangueira de jardim rasgada, os dois agonizavam a procura de ar, mas já se afogavam em sangue, antes que eles apagassem a voz me mandou fazer mais...

Claramente o padre ficava mais assustado e sem palavras para o que estava ouvindo, e com mais medo ainda do que estaria por vir. O relato continuou:

- Joguei-a no chão, e como se faz a um porco, dividi seu tórax ao meio de modo que suas tripas estivessem a mostra, precisava decorar aquele quarto da minha maneira, ela deu seu ultimo guincho antes de morrer, arranquei tudo para fora e estiquei o máximo que pode de modo a parecer uma teia de tripas e sangue. Seu marido só esboçava leves espasmos agora, mas com ele era diferente, subi na cama com a chave inglesa em punho, coloquei toda minha força nos golpes, pude sentir seus globos oculares saltarem em meu peito e seu cérebro virar uma sopa de sangue, pele, músculos e cabelos, a voz me parabenizou por mais uma obra de arte bem sucedida, já era a minha nona.

Atordoado com o emaranhado de informações grotescas que acabara de ouvir, o padre falou:

- Filho, deus te perdoará por esses pecados, mas deve arrepender-se antes, e se entregar para que a lei dos homens também possa fazer a sua parte!

- Sim padre, eu farei isso, e o senhor irá me ajudar!

Sentindo um leve alivio, o padre disse tremulo:

- Claro filho, estou aqui para isso!

Ele deu um breve sorriso de canto e respondeu ao padre;

- Mas para isso acontecer preciso fechar o ciclo, assim como a voz me mandou.

- Como assim? Desesperou- se o padre.

- Pintarei a sua igreja, com sangue, mas não qualquer sangue, nem todos são dignos de tal honraria!

- não entendo. Disse o padre, já com a voz tremulante.

Ele respondeu com satisfação:

- O único digno de ter seu sangue espalhado pelas paredes da igreja, assim como a voz me manda, é um padre!



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