O Invasor.

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— passa tudo seu otário, perdeu, perdeu! - gritava o assaltante pelo lado de fora do vidro. Com a arma apontada para o rosto de Pedro.

— calma calma, eu vou pegar – disse Pedro pegando a carteira e o celular que tinha no bolso. Ele não podia var muita coisa, afinal ele estava sentado no banco do motorista com sua mulher no banco do carona, completamente apavorada e seu filho chorando no banco de trás.

— pelo amor de Deus não faça nada com meu filho – implorou Raquel – leva tudo, mas não faça nada com o meu filho!

— passa o dela também, o celular da madama também, rápido antes que eu meta bala seu vacilão – gritou o assaltante.

Enquanto Pedro aflito juntava todas as coisas que o bandido havia pedido, o assaltante ouviu um policial gritar ao fundo "abaixa a arma". Com a ameça de ser preso ele foi até a porta de trás do carro e abriu-a pegando o pequeno Antônio que chorava muito e o usou como escudo humano.

— aê o meganha, se fizer alguma gracinha, eu meto bala no moleque – gritou ele em direção ao policial enquanto segurava a arma contra a cabeça dele.

Raquel e Pedro apavorados saíram do carro para tentar salvar a vida de seu filho.

— sem gracinha vocês dois hein, sem palhaçada – gritou ele apontando a arma para Antônio.

— me leva, me usa como escudo e deixa meu filho aqui com a minha mulher, por favor – tentou negociar Antônio, porém o assaltante era irredutível.

— você não tem pra onde fugir, larga o menino e vamos numa boa – disse o policial que estava mais próximo.

Então, nesse momento o assaltante notou que não havia como fugir daquela situação e ficou desesperado.

Tudo ao redor de Raquel ficou preto e ela perdeu completamente os sentidos naquele momento, ela apenas recobrou a consciência quando ouviu os disparos.

O assaltante atirou em Antônio então Pedro se jogou no chão em cima de corpo dele e o assaltante disparou novamente, então para pará-lo, o policial atirou nele.

O grito de Raquel foi estridente e então ela acordou, apavorada, gritando tão alto que ecoou pela casa. Se houvesse mais alguém ali teria acordado, porém desde o incidente ela morava sozinha e reclusa em sua casa de campo. Desde a tragédia que insistia em ecoar em sua mente quando seu marido e seu filho foram assassinados na sua frente ela havia desenvolvido agorafobia e morava sozinha. Ela não queria mais contato com o mundo lá fora, pois ela tinha um ódio tão grande da sociedade que queria o mínimo de contato possível.

Eram quatro da manhã da noite mais fria do ano, o casarão de pedra onde Raquel morava estava com a lareira do quarto acesa pois ela adorava aquela luz suave, a fazia dormir com mais tranquilidade, então ela pegou o celular e olhou a hora e saiu da cama para ir ao banheiro.

A casa estava em completa escuridão, porém ela conhecia cada centímetro dali e conseguia se guias tranquilamente sem luz, afinal ela já morava ali a oito anos.

Raquel estava sentada no vaso urinando quando a tranquilidade foi quebrada: ela ouviu no andar de baixo barulhos que a fizeram ficar inquieta. Ela então levantou-se e foi até o andar debaixo, caminhando lentamente para não fazer barulho e olhava cuidadosamente para todos os lados procurando a origem daquele barulho "só o que me faltava raposas a essa hora da noite" ela pensou, porém quando chegou na sala ela não encontrou nada. Então ela foi até a cozinha pegar um copo de água, ainda achando tudo aquilo muito estranho, então pelo canto do olho ela viu um vulto correndo pela janela, então ela se virou rapidamente em direção a janela. "será que ele me viu?" pensou ela, então pegou uma faca e seu celular, ela se abaixou e se escondeu atrás da pia que ficava de costas para a janela.

— emergência? - disse uma voz feminina do outro lado da linha.

— tem alguém tentando invadir a minha casa – sussurrou Raquel.

— qual é o seu endereço? Você está segura dentro da casa? - disse a atendente.

Então Raquel passou o endereço.

— é distante da cidade, levará uns trinta minutos até a viatura chegar aí mas eu já emiti o alerta, se tranque em algum cômodo seguro e se proteja até a polícia chegar.

Raquel então largou o telefone ali mesmo no chão e foi engatinhando até a escada. Quando ela chegou lá ouviu o barulho do vidro se quebrando na janela atrás dela, porém ela não olhou para ver o que era, ela tinha que se manter viva, ela então subiu as escadas o mais rápido que pôde e foi para seu quarto. Quando chegou lá ela ficou por alguns instantes olhando ao redor pensando no que fazer e então ela decidiu se esconder dentro do guarda-roupa.

Ela já sabia que a pessoa estava dentro de casa, quem era aquele invasor, o que ele queria? Será que a polícia chegaria a tempo de salvá-la? Então ela colocou a mão sobre a boca e controlou a intensidade de sua respiração para ver se ouvia algo.

Passos no andar de baixo.

Algo caiu e quebrou, o barulho dos estilhaços de vidro ecoaram pela casa.

Os passos foram ficando cada vez mais perto, então ela ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo.

— Raquel? - disse uma voz apavorante que fez a espinha dela congelar – cadê você?

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Raquel "como ele sabe meu nome?" ela pensou apavorada mas não fez nenhum barulho, então ela olhou pela fresta da porta e a cena a deixou mais apavorada ainda, ela nem sabia que podia ficar com tanto medo assim.

Era uma criatura de pele escura, estava nu. A aparência da pele era viscosa e era animalesca. Era esguia e tinha quase dois metros de altura, tinha uma posição corporal torta, parecia corcunda e se movia com dificuldade, então ele virou-se lentamente para o guarda-roupa, então ele moveu o rosto e sua expressão indicava que ele estava sorrindo. Raquel agora chorava compulsivamente.

— achei – disse aquela voz horripilante.

— o que você quer – ela disse, segurando o cabo da faca com tanta força que sua mão doía.

— foi o teu ódio que me trouxe aqui, eu vou te livrar dele.

Então ao olhar fixamente nos olhos daquela criatura, Raquel sentiu seu coração apertado, parecia que sua alma estava sendo pressionada dentro de seu corpo, então calmamente a criatura abriu a porta do guarda-roupa e encarou Raquel.

Ela chorava e ele rosnou.

— calma minha querida, vai doer muito, mas logo passa.

A criatura sorriu e Raquel parou de chorar, então ela foi capaz de ver todas as presas em sua enorme boca que veio aberta em sua direção.



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