LETRAS DE SANGUE - PARTE II

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   Quando o detetive Cardoso encontrou o corpo de seu colega, entrou em choque. Ao chegar à cena do crime, fora difícil identificar o corpo do exímio detetive Arthur Miranda. As costelas foram fraturadas; suas pálpebras foram cortadas; nas mãos e nos pés, queimaduras de terceiro grau; a cabeça fora raspada; mas o que mais chamava atenção, sem dúvida, eram as tripas apoiadas ao redor do pescoço; a barriga ainda estava aberta e exposta; a língua havia sido arrancada (o que explica a ausência de gritos durante a noite, segundo relatos dos vizinhos).

   Mauro Cardoso sempre acreditou que um ser humano, por pior que pudesse ser, merecia ser salvo. Acontece que, ele nunca havia presenciado tão de perto tamanha perversidade. Era como se ele pudesse ouvir seu companheiro gritar, implorando para ser salvo das mãos de seu algoz. Era como se, de alguma forma, ele pudesse sentir a presença do assassino bem próxima a ele.

   Não demorou muito até que a necessidade de encontra-lo se tornasse não só parte de seu trabalho, como também uma missão pessoal. Mauro passou noites em claro, reunindo possíveis rastros, analisando tudo que podia; aguardando apenas um único deslize por parte do impiedoso assassino.

   O Estranho, por sua vez, já estava pronto. Conhecia muito bem o final da história, antes mesmo desta ser contada. Enquanto esperava a visita de Mauro, torcendo ironicamente por seu sucesso, deliciava-se com cada fragmento daquela noite.

   E o Estranho esperou. Mauro repetia para si mesmo que só conseguiria dormir em paz depois que cruzasse essa linha.

   Até que numa noite, debaixo de poucas estrelas e um céu cheio de nuvens, os caminhos do detetive Mauro se entrelaçaram aos do Estranho. Mauro não sabia como; apenas sabia que era ele. O Estranho, confirmando seus instintos, sorriu para ele. E Mauro começou a correr; em direção àquele sorriso sínico e convencido. O Estranho se rendeu depois de poucos metros, encarando o detetive nos olhos e dando seu último sorriso.

   Cardoso não esperou por uma só palavra ou um só movimento do assassino. Apenas agarrou a raiva e a tomou para si, partindo para cima do Estranho, derrubando-o e continuando a bater nele, cada vez mais forte; até não aguentar mais.

   E o Estranho sorriu. Até o último segundo.

   O detetive, depois de recuperar o fôlego, tira uma caneta do bolso e pega nas mãos o pequeno caderno, com todas aquelas letras de sangue ali desenhadas. Ele abre na última página e a caneta desliza sobre o papel. Em seguida, larga o caderno ao lado do Estranho. E tomando para si a jaqueta do mesmo, cobre o rosto com o capuz, guardando a caneta e indo embora.

Horas depois, alguém encontra o caderno. Caído no chão, sozinho.

– Caramba...Que bizarro! Parecem...Letras de sangue.

   Até hoje, rolam especulações sobre o tal site denominado "Letras de sangue" estar sendo vigiado. Aguardando apenas qualquer indício dos movimentos do Estranho, onde quer que ele esteja.

 



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