TODO DIA

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   Ela está morrendo, bem diante de mim. E eu não posso fazer nada. Não posso salvá-la. Não posso correr em sua direção, nem ao menos me despedir. Ela é tão pequena...tão frágil! É doloroso demais ter que pensar que não voltarei a vê-la. Nunca mais. Ela costumava correr e dançar. Costumava sorrir com a maior facilidade do mundo. Costumava chorar até pegar no sono. E agora...ela simplesmente se vai. Sem poder gritar. Sem poder chorar ou sorrir. Sem poder brilhar como sempre brilhou.

   Ela está morrendo. Sem que haja outra opção. E não há nada, absolutamente nada, capaz de me arrancar essa dor. Porque todos os dias eu a vejo morrer. Todos os dias, tenho que vivenciar a mesma cena, e sentir o que não quero sentir. E eu choro. Choro por não poder mais alcança-la. Choro por imaginar o que poderíamos ter feito, eu e ela. Ela está lutando. Lutando para continuar correndo. E continuar contaminando o mundo com o seu doce e gentil sorriso. Ela não sabe o que é isso. Essa dor aumentada, à medida que o tempo se vai. E vai ficando cada vez pior.

   Ela está morrendo. Mas não há sangue. Não há rastros ou qualquer ferimento. Apenas a imagem dela afastando-se de mim, fugindo dos meus olhos, e tornando-se apenas um flash. Parte de minha memória nostálgica e imperfeita. Eu nunca mais voltarei a vê-la como antes. Restarão apenas resquícios de seu sorriso, de sua pele, de seu olhar, de sua graça, e de tudo que ela sempre representou.

   Ela se foi. Mais uma vez. E agora, a única luz que permanece presente é a luz de um pequeno quarto se apagando. E uma mulher frustrada diante do espelho.

 

 



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