O Sono Da Razão Gera Monstros

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"O sono da razão gera monstros."
Francisco Goya - pintor espanhol

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

O barulho da água do chuveiro, aliado ao calor da lareira. Só podia ser isso. Ah, e a hora adiantada da noite, claro. Por isso estava daquela forma, sonolento e, pior ainda, melancólico.

Apertou um botão no controle remoto e a tela da TV exibiu as hoas: duas e vinte e três da manhã. Estava cansado, mas não podia dormir. Tinha obrigações a cumprir.

Aumentou o som da televisão para  cobrir o barulho da água. A garota deixara uma leve fresta da porta aberta, o suficiente para que ele pudesse observar a bela silueta de seu corpo através do vidro embaçado do box. Mas a imagem da imensas geleiras derretendo e liberando gigantescos icebergs no mar chamou sua atenção.

No noticiário, a reprise de um programa que denunciava os efeitos terríveis do aquecimento global. Ele forçou-se a prestar atenção no que o repórter falava:

- ...as geleiras estão derretendo, isso não é nada bom...

 

Cabana do Feiticeiro N'a Thurok
Fins Do Último Período Glacial

 

- As geleiras estão derretendo, isso não é nada bom...

N'a Thurok, o feiticeiro, estava  preocupado. O avô de seu avô, e o avô deste antes dele falavam de coisas ruins que aconteciam quando as geleiras se retraíam demais.

O jovem-sem-nome, aprendiz de N'a Thurok, ao contrário de seu mestre, esperava que as geleiras se abrissem ao máximo. Em suas veias corria mais ódio que sangue e ele ansiava para que as lendas fossem verdadeiras, porque ele iria chegar até a Caverna Vermelha e dominar o poder necessário para que sua vingança se realizasse.

 

Cabana do Grande Líder Ha Tor
Noite do nascimento do Menino Sem Nome

 

Ha Tor achava aquelas cerimônias um aborrecimento que beirava ao insuportável, mas sem o apoio da família Thurok, os sacerdotes e senhores dos segredos da cura, sua liderança não teria a benção dos deuses, a caça e a pesca iriam escassear e haveria luta entre as famílias dos nobres pela sua sucessão.

Apreciador do silêncio, estava achando aquela cacofonia de sons  um verdadeiro tormento - na cama, Shavenek, sua esposa, gemia e gritava, devido as dores do parto; Tulla Thurok, a filha mais velha de N'a Thurok, havias ingerido as ervas que abriam a mente para o mundo dos deuses e resmungava coisas desconexas, numa cantilena infernal que não terminava nunca.

E ainda tinha suas próprias preocupações: era o sétimo filho seu, e era preciso não apenas que fosse um varão, mas também que vingasse; todos os outros haviam morrido logo depois do parto. Se não houvesse um filho homem, as familias nobres guerreariam pela sucessão, num banho de sangue que poderia acabar com toda a população das oito aldeias.

De repente, Ha Tor foi arrancado de seus devaneios, bem como todos os presentes na cabana do grande líder: Thulla abriu sua boca e dela não saíram as profecias esperadas, mas um urro tão terrível que trouxe medo até aos mais valentes homens presentes.

- Ele é meu! - a voz parecia vir das profundezas do inferno, e o rosto de Thulla se contorcia em agonia, mostrando que ela sofria grandes dores. - Ele é meu, Ha Tor, e trará as trevas às suas terras e a todas as terras em que puser seus pés.

E Thulla, então, apontou em direção ao pai:

- E ele trarà a desgraça porque você, N'a Thurok, será consumido pela sua fraqueza!

E Thulla caiu, desmaiada. N'a Thurok correu para socorrer a filha, enquanto os demais presentes ficaram imóveis, entre temerosos e embaraçados com as estranhas revelações feitas pela profetisa.

Mas Ha Tor não era Grande Líder à toa. Enquanto os outros se petrificavam de medo, ele já definira todo um plano de ação e, assim que N'a Thurok constatou que sua filha estava segura, Ha Tor o chamou de lado.

- Precisamos agir rápido. Tais profecias não podem se realizar.

- Acredito que Ha Tor tenha um plano.

- Há mais algum parto ocorrendo hoje na vila?

- Mais dois.

- Corra até suas parteiras. Se nascer um menino, ele deve ser trazido para cá imediatamente.

N'a Thurok já imaginava os pensamentos de Ha Tor. Ia sair, quando Shavenek, esposa de Ha Tor, chamou:

- N'a Thurok, eu lhe peço, derrama sobre mim e meu filho uma benção dos deuses.

Ele voltou rápido e ajoelhou-se junto à cama. Shavenek sussurrou: - Por favor, salve meu filho!

Ele fez os gestos rituais da benção em silêncio e saiu.

N'a Thurok sabia que qualquer filho de qualquer aldeã poderia ser apresentado como filho do Grande Líder, pois a pequena população das oito aldeias fora gerada de muitos casamentos consangüíneos, o que levava a proliferação de doenças auto-imunes e à baixa resistência dos aldeões às doenças. Por tantos casamentos consangüíneos, todo o povo era muito parecido entre si e as famílias ditas nobres o eram muito mais pela tradição do que pela linhagem.

Para a sorte de N'a Thurok, e muito mais ainda para a de Ha Tor, havia nascido mais um menino naquela noite. N'a Thurok providenciou para que a parteira devolvesse à mãe apenas as condolências pela perda de seu filho.

Ele sabia que Ha Tor iria mandar matar o menino, não tinha a menor intenção de trocá-lo por outro.

Naquela noite, a aldeia se regojizou pelo nascimento de um herdeiro para o Grande Líder. E também lamentou a desgraça da invasão de lobos na ala leste da aldeia: toda uma família, incluindo o recém-nascido e a parteira que lá estava para ajudar em seu parto, haviam sido dizimados sem pena pelos ferozes animais.

Ao fim da madrugada, N'a Thurok deixou a vila, em direção às montanhas, onde ficava a sua cabana. Coberto pela escuridão da noite e por uma teia de mentiras, ele levava o menino-sem-nome escondido entre suas largas vestes sacerdotais.

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

Irina não era apenas bela, era também muito inteligente. Enquanto milhares de garotas russas saíam para se prostituir em outros países sob o jugo dos tráfico internacional de mulheres, ela sabia como se cuidar. Agenciava a si mesma e tinha os melhores clientes.

Aquele cliente em particular lhe parecia um belo plano de aposentadoria. Era fácil perceber que ele era velho, solitário e podre de rico. Não era tão velho que fosse morrer amanhã, mas mortes naturais e acidentais sempre podem  ser "providenciadas".

Ela sabia que ele era solitário porque, ao contrário do habitual, ele fizera questão que ela o acompanhasse em um passeio durante a tarde. Foram a um museu. Ela odiava museus, mas ele tinha tanta cultura, falava com tanto conhecimento sobre as obras que viam, que ela se viu fascinada. Descobriu que o problema não eram os museus, era sua própria falta de cultura.

Depois do museu, foram às compras. Ele escolheu (e pagou, claro, como um perfeito cavalheiro) roupas maravilhosas para ela. Ela ficou encantada, pois as roupas que ele lhe deu de presente eram chiquérrimas, sofisticadas e ao mesmo tempo joviais o suficiente para sua idade. Que tipo de homem tinha tamanha sensibilidade assim para entender as necessidades de uma mulher?

Por fim, quando eles chegaram à imensa propriedade do homem - estranho, ela não lembrava seu nome, nem lembrava de ele ter mencionado um - ele a tomou nos braços e fez sexo com ela com um vigor invejável.

É, ela podia se divertir bastante com ele antes de se tornar sua herdeira universal.

Não cometeria os mesmos erros da sua priemeira tentativa de iniciar uma carreira de viúva-negra. Tudo dera errado: ela não conseguira a fortuna do marido, o desgraçado ficara bastante doente, mas não morrera e ela teve de fugir. Gastou tudo que ganhou em seu golpe fugindo da polícia.

Se perguntava também de onde viria aquele sotaque estranho de seu candidato a próxima vítima. Ela havia rodado praticamente a Europa inteira, conhecia todos os sotaques do continente. Nunca ouvira nada parecido.

Distraída em seus pensamentos, Irina não percebeu que, atrás dela, a porta do banheiro se abria.

 

Um dia qualquer na vida do menino-sem-nome
Fins Do Último Período Glacial


O menino-sem-nome cresceu escondido na cabana de N'a Thurok, o Feiticeiro. Como o povo daquela região tinha uma crença muito forte de que só o pai de uma criança deveria lhe dar um nome, sob pena de que os deuses desabassem castigos pesadíssimos sobre toda a aldeia, ele permaneceu sem nome e assim cresceu, como um pária, pois a falta de um nome significava que a pessoa era uma rejeitada e, se a família a rejeitara a ponto de lhe negar um nome, a aldeia não faria diferente.

Para não dizer que nenhuma sorte sorrira para ele, o menino cresceu protegido por N'a Thurok, que lhe ensinou sua magia e as tradições da tribo. "Quando cresscer," pensava N'a Thurok, "poderá se sustentar vendendo os serviços de sua magia entre as oito aldeias."

Mas aquela proteção era a confirmação dos terríveis vaticínios feitos na ocasião de seu nascimento. N'a Thurok, como feiticeiro e guia espiritual das oito tribos, deveria ter garantido que um ser amaldiçoado daquela forma não sobrevivesse de maneira alguma, mas não resistiu à sua fraqueza: perdidadamente apaixonado por Shavenek, a esposa do Grande Líder Ha Tor, ele era incapaz de negar qualquer pedido seu. E protegeu o filho dela, como ela lhe pedira.

Ele não tinha idéia de quanto de horror e morte viriam a se espalhar pelo mundo quando deixou que o amor embotasse seu espírito.

 

Viena, Áustria
Dez Dias Atrás

 

- Tem abzoluta cerrtezza de que este é o zeu desejo? Uma vez que comeze, não é pozível parrarr mais...

O homem sentado à mesa junto com o senhor de cabelos brancos se apresentava tão abatido que, mesmo sendo mais novo, parecia ter vivido um milhão de anos mais que seu interlocutor.

- Você diz que ela pode pagar caro por toda a tristeza que me causou e, de quebra, me devolver a saúde que ela destruiu enquanto me envenenava para ficar com meu dinheiro. Que tipo de dúvida posso ter? No máximo, posso morrer durante o processo, mas eu já estou morrendo agora, com o câncer me comendo por dentro. O que poderia ser pior que a morte?

O senhor de cabelos brancos apenas sorriu, mas dentro de si pensava: "muitas coisas que você desconhece, meu caro; muitas coisas."

 

Um dia qualquer na vida do rapaz-sem-nome
Fins Do Último Período Glacial

 

Ele descobriu por acidente, quando tinha por volta de onze anos e escutou uma conversa entre Thulla e N'a Thurok, que acreditavam estar sozinhos.

Saber que era na verdade o legítimo herdeiro do Grande Líder e que seu pai o rejeitara e o trocara por um plebeu qualquer, ao invés de protegê-lo da maldição, como era seu dever de pai, encheu o coração do rapaz-sem-nome de ódio.

Desde de sua descoberta, esperava por uma primavera em que o calor viesse mais forte e abrisse as trilhas até a Caverna Vermelha.

A lenda da Caverna Vermelha falava de uma caverna de pequena profundidade, mas onde existiria uma passagem para o mundo dos deuses. Dizia N'a Thurok que, há muitas gerações atrás, o fundador de sua linhagem entrara na Caverna Vermelha e voltara de lá com o dom da cura e poderes mágicos, que fizeram da família Thurok a mais poderosa entre as oito tribos. Muitas famílias de Grandes Líderes haviam perecido no tempo, mas os Thurok permaneceram. Sem sua benção e seus conselhos, nenhum Grande Líder poderia governar.

Era esse poder que o rapaz-sem-nome buscava para pôr de joelhos seu pai e o impostor que roubara sua familia, seu trono e seu nome.

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

Irina assustou-se quando percebeu que o coroa entrara no banheiro.

- Ui, você me assustou!

Em resposta, ele apenas sorriu. Contemplando a nudez do homem, ela percebeu seu membro ereto. "Merda", pensou, "quantos Viagras esse filho-da-puta tomou hoje?"

- Nossa, animadinho você, hein?

Ele continuou sorrindo em silêncio. Entrou no chuveiro junto com ela, virou-a de costas e, colocando as mãos entre os longos cabelos negros de Irina, ele começou a massagear seu couro cabeludo. Arrepios de prazer e uma profunda sensação de relaxamento percorreram o corpo da moça.

- Ai, que delícia!

Ela foi relaxando mais e mais até que ele firmou bem as mãos nas laterais da cabeça de Irina. Ela esperava pelo próximo truque delicioso que ele iria lhe mostrar.

Ele apenas bateu sua cabeça violentamente contra a parede.

Irina perdeu os sentidos.

 

Um dia qualquer na vida do rapaz-sem-nome
Fins Do Último Período Glacial


Talvez tenham sido os poderes malignos que profetizaram as desgraças, talvez apenas um destino inexorável do qual não podia fugir, mas N'a Thor não foi capaz de prever as intenções do rapaz-sem-nome.

Assim, naquela manhã, quando o verão atingiu seu auge e uma vasta região antes coberta pelo gelo agora já apresentava sinais esparsos de grama, N'a Thurok despertou de seu sono e, após uma rápida volta por sua cabana, notou que seu aprendiz havia desaparecido.

Era impossível esquecer a profecia. N'a Thurok esperava pelo  pior.

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

Irina acordou com uma dor de cabeça excruciante. A pancada desencadeara uma de suas terríveis crises de enxequeca.Descobriu-se  também nua, amarrada em um porão gelado e úmido, morrendo de frio.

Mas a dor e o frio não foram as piores coisas que encontrou ao despertar. Seu ex-marido também estava lá, imensamente feliz por tê-la encontrado.

 

Um dia qualquer na vida do rapaz-sem-nome
Fins Do Último Período Glacial

 

O rapaz-sem-nome sentia fome e sede. Sem ter como saber a localização exata da Caverna Vermelha, não tivera como calcular bem o quanto de água e comida levar e, apesar de seu racionamento, suas provisões haviam acabado.

Mas seu ódio lhe provia forças inesgotáveis. E assim chegou à Caverna Vermelha, ainda que bastante debilitado.

Não teve dúvidas de que era o lugar certo: a cor vermelha das paredes era exatamente como as lendas contavam. E N'a Thurok lhe contara tudo sobre a Caverna.

Mas havial algo sobre a Caverna Vermelha que a N'a Thurok não lhe contara. Não por maldade, mas porque realmente não sabia do fato.

A Caverna Vermelha era um portal para atingir as dimensões que hoje chamamos de Paraíso e Inferno.

Quando o antepassado de N'a Thurok lá chegou, não sabia dos poderes da Caverna. Entrou ali para se proteger por uma noite, antes de seguir sua peregrinação: buscava desesperadamente por outros povos que pudessem ter uma cura para a peste que assolava o povo das oito tribos naquela época.

Ao ver o sacrifício e as boas intenções do antepassado de N'a Thurok, a caverna abriu-lhe passagem ao Paraíso, de onde retornou com dons de cura.

Mas o coração do rapaz-sem-nome estava repleto de ódio.

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

Irina estava muito surpresa de ver seu ex-marido ali.

- Arthur? Eu... eu...

O homem de cabelos grisalhos não tinha tempo para permitir que eles conversassem. Havia uma hora certa para que aquele ritual funcionasse, e ela estava passando.

Usando de lâmina curta, mas muito afiada, ele cortou a garganta de Irina e mergulhou sua mão esquerda no sangue que passou a jorrar da garganta da moça. Sua mão direita, ele a pressionou firmemente contra a testa de Arthur.

Irina se debatia, mas era inútil. Ela sentia sua vida se esvaindo com as batidas de seu coração, que naquele momento só serviam para fazer com que mais sangue se perdesse pelo corte em sua garganta.

Por sua vez, Arthur recebia a energia vital de Irina. Era como se tivesse colocado seus dedos em uma tomada de duzentos e vinte volts.

Aquilo durou até que a vida de Irina se esvaiu por completo. Arthur ganhara de volta não apenas sua saúde, mas toda uma carga extra de energia como jamais tivera em toda sua vida.

 

Um dia qualquer na vida do rapaz-sem-nome
Fins Do Último Período Glacial

 

O povo das oito tribos não tinha grandes habilidades matemáticas. Tinham palavras em sua língua para a unidade e o par; depois disso vinham "um pouco" e "muitos". Então mesmo um sábio como N'a Thurok não era capaz de dizer há quanto tempo o rapaz sem nome havia partido. Sabia apenas que a lua ainda não havia morrido e nascido de novo no céu, quando ele viu o estranho senhor de cabelos brancos vindo pela trilha do norte.

Somente quando o estranho chegou mais perto que N'a Thurok reparou que ele usava as largas vestes da família dos sacerdotes. Era o rapaz-sem-nome! Mas como pudera envelhecer tanto em tão pouco tempo?

Quando o agora homem-sem-nome chegou próximo de seu mestre, este o saudou, mas sua saudação foi respondida com o lançamento de uma adaga, que cravou-se em sua garganta. N'a Thurok morreu engasgado em seu próprio sangue mas, estranhamente, não pôde permanecer morto. Uma força estranha emanava do homem-sem-nome e o obrigava a continuar caminhando com ele, como se vivo ainda o fosse.

E contra a sua vontade seguiu seu ex-discípulo até o chamado Vale das Lágrimas, onde o povo das oito aldeias depositava os restos mortais de seus antepassados.

Com a passagem do homem-sem-nome, cada homem, mulher e criança que ali jaziam foram arrancados de seu sono eterno, e seguiram seu novo mestre, sem que ele precisasse lhes dar nenhuma ordem.

E assim, o exército dos mortos marchou. Silencioso e inexorável, avançou primeiro sobre a tribo de Ha Tor. Cada ser vivo que tombava morto, logo levantava para juntar-se aos seus assassinos.

Por fim, algumas luas haviam se passado e, com a morte do último homem da última das oito tribos, o exército dos mortos tombou inerte ao solo. Seu mestre os dispensou, deixando seus corpos caídos e despachando suas almas para o Inferno.

A primeira parte da profecia fora cumprida: ele trouxera desgraça para sua própria terra. Agora era hora de partir e espalhar desgraças por todas as terras onde pisasse.

 

Viena, Áustria
Dias Atuais

 

Arthur estava exultante, embriagado de felicidade. Não apenas encontrara sua vingança, como tambem recuperara sua saúde e, mais ainda, era agora dono de um vigor físico indescritível.

Não parava de repetir:

- Fabuloso! Fantástico!

Despediu-se do homem-sem-nome.

- Adeus, meu caro! Obrigado por tudo! Agora vou aproveitar muito a vida porque, com essa energia toda, com certeza vou viver mais uns duzentos anos!

O homem-sem-nome limitou-se a sorrir e Arthur partiu rumo à sua nova vida.

A propriedade ficava ao alto de um morro, e o homem-sem-nome pode acompanhar pela janela as luzes do carro de Arthur serpenteando estrada abaixo, até atingir o ponto onde deveria cruzar a linha do trem.

Arthur ouviu o barulho de um trem próximo, mas como os sinais indicavam que a passagem estava livre para ele, continuou em frente. Foi quando as cancelas baixaram violentamente. A que atingiu o capô do carro, varou a tampa e atingiu o motor. O carro morreu e não pegou mais.

Arthur bem que tentou descer, mas não houve tempo. O trem que ele acreditara estar longe, atropelou o carro, passando por ele a toda velocidade.

O homem-sem-nome assistiu àquela cena sem se alterar. Ele sabia que algo assim iria acontecer, pois todo aquele que se envolve pelos milagres negros do necromante, tem o Inferno como seu destino final.

 

----FIM----

 

 

 



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Comentários   

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