Êxtase

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massage2Era delicioso olhar para aquela pele. A luz do estúdio de fotografia destacava ainda mais a maciez, fazia com que o contato fosse ainda mais quente e suave.

"Quem disse que a perfeição não existe?" - pensou ele, extasiado.

Deslizou as mãos pelas costas dela, demorando-se o máximo possível. Em seu sono, a bela ronronava, aprovando o carinho recebido.

Pelo espelho na parede, pode perceber o sorriso de satisfação dela.

"Perfeito, perfeito, perfeito!" - pensava.

Esticou-se e alcançou a borda do tapete que enfeitava o cenário. Colocou a mão sobre ele e encontrou o que procurava: o frio aço da adaga que escondera enquanto montava o cenário para as fotos.

Levantou-se e jogou as cobertas para longe.

Com o frio súbito, a bela acordou. Que bom! Era exatamente o que ele esperava.

Ela conseguiu abrir os olhos, mas não conseguia se mexer. Milagrosas, essas drogas de hoje: não há sabor, nem cor, nem cheiro. Testara em si mesmo uma pequena dose e, por uma hora inteira, viu-se indefeso em sua cama. E perfeitamente consciente de tudo, como ela estava agora.

Podia ver pelo espelho o pânico transbordando no olhar dela.

"Perfeito, perfeito, perfeito!"

Contemplou a nudez de seus corpos. Ele podia imaginar os sacrifícios a que ela submetera para conquistar toda aquela beleza. Afinal, ele sabia bem quanto lhe custara construir cada músculo de seu corpo, cada detalhe de sua aparência sedutora. As infinitas e entediantes horas na academia para mantê-los. Mas, principalmente, a dor na recuperação de cada cirurgia que fizera para transformar o garoto gordo e feio num ser sedutor e irresistível. O corpo perfeito para abrigar um cérebro perfeito, mil vezes mais inteligente que aqueles que tanto o ridicularizaram. Agora, ele era ao mesmo tempo o caçador ardiloso e a isca para atrair sua presa.

Sem a menor cerimônia, sentou-se sobre as nádegas da moça, tratando de se concentrar no trabalho que tinha pela frente.

Começando com um pequeno corte logo abaixo da nuca, ele foi cuidadosamente cortando a pele em direção ao ombro direito da moça. Às vezes ele desviava o olhar para contemplar o reflexo dos olhos da moça: quase podia ouvir deles os urros de dor que a bela boca de lábios carnudos estava impedida de emitir. O corpo abaixo dele tremia com a dor que lhe era infligida.

- Calma, eu já estou quase terminando. - sussurrou para ela.

A lâmina deslizou pelo torso até chegar próximo das nádegas, passando sobre elas e seguindo em direção da cabeça. Ao finalmente unir-se ao início do corte, a linha impressionava pela sua retilineidade, formando um retângulo preciso. Era a perfeição coroando a persistência.

Ele parou para admirar seu trabalho.

- É, acho que estou ficando bom nisso...

Não havia percebido antes, mas havia ficado excitado. Seu pênis se erguia rígido, numa ereção insana. Adorou aquela sensação.

Inseriu a ponta da adaga no corte, formando um ângulo com a pele e assim refez o trajeto de um ombro a outro. A parte de cima do retângulo destacou-se levemente e, então, ele começou a puxar.

Do espelho, ela viu seu mar de dor transformar-se num oceano de agonia, enquanto a pele se destacava de suas costas.

Quando finalmente toda a pele se soltou, ele não conseguiu mais conter sua excitação; sem sequer precisar se tocar, explodiu num violento orgasmo, onde o sêmen ejaculado foi cair sobre a carne viva, juntando-se ao sangue, numa grande e morna poça de fluídos corporais.

Assim que se recuperou, ele tomou a pulsação da moça em seu pescoço. Nada. Sobrecarregado pela dor e pela agonia, seu coração não resistiu.

Levantou-se e olhou para a cena a seus pés.

- Nossa, que bagunça! Vai dar um trabalhão arrumar tudo isso!

Dirigiu-se para a porta, tinha muita coisa a fazer. Acariciava a pele em suas mãos, sentindo-a quente e macia ao seu contato.

- Vamos, minha bela, precisamos impedir que o tempo roube a sua beleza!

Fechou a porta do estúdio atrás de si. Em sua mente, repetia o mantra que o motivara a cada minuto de sua lenta e dolorosa transformação:

"Perfeito, perfeito, perfeito!"

FIM



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