Um Vampiro, Um Lobisomem, Um Saci Pererê

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"Na sombra da lua cheia, esse medo de ser

Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê"

(Almôndegas – Canção da Meia Noite – 1975)

 

{denvideo/http://www.youtube.com/watch?v=q4qaFLUy4gg&feature=youtu.be}

 

A pergunta que todo mundo me faz: "Aff, por que histórias de terror?" Geralmente vem acompanhada de uma careta de nojo, ou um risinho nervoso ou alguma pergunta idiota do tipo "e aí, o que você faz, fica visitando cemitérios?" Mas, o que mais me dói, é aquele olhar que parece dizer "ai, mas não vai crescer nunca esse menino..."

Sei que não sou o único que sofre com essa situação. Stephen King comentou uma vez que, em seus seminários e palestras sobre literatura, também sempre aparece alguém que lhe pergunta por que escreve histórias de terror. E ele responde: "Por que acha que eu tenho outra opção?"

No prefácio de seu livro "Sombras da Noite" - sobre o qual eu já comentei no meu post "Mas Afinal, Quem Lê Prefácios?" - Stephen King diz que nossa mente parece ter filtros e que os filtros de cada um retêm coisas diferentes do filtro dos outros. Ele cita o escritor de westerns Louis L'Amour em um exemplo para explicar sua teoria: se King e L'Amour se encontrassem à beira de uma pequena lagoa no Colorado, provavelmente L'Amour escreveria uma história sobre caubóis lutando para que seus rebanhos tivessem acesso à água durante uma estação de seca; já King escreveria algo sobre uma criatura que emergiria da lagoa para atacar carneiros, cavalos e, finalmente, pessoas. Cada louco com sua mania...rs.

De minha parte, nem tendo entender nada. Estou preocupado apenas em me divertir e o terror e o suspense estão na minha vida desde muito cedo.

TheFly1958

Cena de "A Mosca da Cabeça Branca"  - 1958 - 20th Century Fox

Em 1976, eu era um moleque de cinco anos de idade, que ficou fascinado ao ver, na extinta TV Tupi, de São Paulo, a chamada de uma obra prima dos filmes de terror: A Mosca Da Cabeça Branca, filme de Kurt Newmann, de 1958. Assisti o filme na velha TV Philco preto-e-branco, valvulada, que tínhamos em casa. E assisti escondido da minha mãe, que havia me proibido, dizendo que eu não ia dormir de noite. Aliás, quando alguém tinha insônia e não conseguia ficar quieto na cama, e andava de um lado para o outro pela casa, ela dizia que a pessoa estava lobisomando. Bom, não fiquei lobisomando pela casa, mas realmente não dormi de medo. Praga de mãe pega...rs.

Não sei exatamente o que me levou a desobedecer minha mãe e assistir esse filme. Sei que a presença do ator David Hedison no elenco já havia chamado muito a minha atenção, pois ele interpretava meu personagem favorito em outro seriado: o ousado Capitão Lee Crane, de Viagem ao Fundo do Mar. E era ele que eu imitava quando enfrentava os monstros de mentira das minhas brincadeiras, e ele também já havia virado lobisomem (ou algo muito parecido) em uns tantos episódios do seriado.

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O ator David Hedison, em Viagem Ao Fundo Do Mar

 

Nessa mesma época, a Rede Globo exibia a novela Saramandaia, um marco da teledramaturgia brasileira, marcada pelo realismo fantástico, onde um de seus personagens, o Professor Aristóbulo, interpretado pelo fenomenal Ary Fontoura, se transformava em lobisomem, e em cuja trilha sonora estava a Canção da Meia Noite, dos Almôndegas, grupo que lançaria os gaúchos Kleiton e Kledir ao estrelato. Baseado no personagem de Ary Fontoura, um lobisomem voltaria a aparecer em Roque Santeiro, em 1985: o Professor Astromar, interpretado por Ruy Resende. Nos dois casos, lá estava o Edson, pendurado na TV, esperando pra ver a hora em que ia aparecer a transformação do lobisomem.

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Os professores lobisomens das telenovelas brasileiras: Prof. Aristóbulo (Ary Fountoura) e Prof. Astromar (Ruy Resende)

 

E as referências poderiam ir muito mais longe, mas aí já ia ficar cansativo. Só sei que eu vibrei muito quando "O Silêncio Dos Inocentes" ganhou cinco Oscar em 1992 e foi um fenômeno de público tão grande que chegou a ser capa da Veja, na época (ih, olha um trocadilho involuntário aí, gente...rs). E vibro todas as vezes que dignos representantes da Literatura Fantástica, em particular obras de Terror e Suspense, fazem sucesso com o grande público.

Talvez a rejeição venha de tantas obras ruins já produzidas pelo gênero. Em particular o cinema, que já lançou tantos filmes ruins de terror por aí, fosse por falta de orçamento, fosse por falta de tecnologia pra obter um resultado decente. Talvez porque os roteiristas abusassem de levar os personagens de terror a fazer coisas estúpidas que ninguém faria – afinal, quem iria verificar a origem de um barulho no porão levando apenas uma caixa de fósforos, como cansamos de ver nas milhares de vezes que a TV Record reprisava O Túmulo Do Vampiro?

Eis aqui o desafio que me propus desde que criei o Letras de Sangue, e que acredito dividir com cada autor que tem coragem de produzir e dar a cara a tapa para divulgar uma obra de Literatura Fantástica: trabalhar duro para produzir material de qualidade, para que o gênero passe a receber do grande público o respeito que merece.

 

 

Um BIG abraço e bons pesadelos!



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Comentários   

+1 # Jonathan Hamelin M 30-11--0001 00:00
Curioso saber que você é apenas 6 anos mais velho que eu (nasci no ano seguinte ao que você desobedeceu sua mãe). Porquê será que a maioria dos apaixonados pelo gênero horror são da velha guarda?
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0 # Edson Tomaz da Silva 30-11--0001 00:00
Talvez porque a gente tenha aquele nível de conhecimento e o senso de velocidade que se precisa ter para apreciar os clássicos.

A impressão que tenho é que a nova geração está mais próxima do máximo de velocidade, sangue e ação do que de referência como as que preenchem este post. Estamos mais próximos do Drácula de Bram Stocker, enquanto os mais novos tem como referência Jogos Mortais. Para eles é mais fácil encarar uma maratona de sete filmes com pouco enredo (ainda que com muitas armadilhas infernalmente bem boladas) do que encarar as quatrocentas páginas de Drácula ou os dilemas morais de A Mosca Da Cabeça Branca.

Não quer dizer que estejamos certos e eles errados, ou vice-versa. Quer dizer apenas que os tempos passam e as referências mudam.

Mas o Terror está sempre presente, e isso é o que me importa.

Um BIG abraço e bons pesadelos.
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0 # lorena aguiar s. s. 30-11--0001 00:00
isso é d+ sou novinha e amo dracula ,a msoca da cabeça branca e amoconhecer fatos,lendas e tudo mais de tudo que eh antigo :eek: intãoñfala q nós ñ conhecemos e gostamos de coisas das antigas sou loucamente apaixonada por isso :P
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0 # Edson Tomaz da Silva 30-11--0001 00:00
Oi, Lorena!

Acho muito legal quando o pessoal das novas gerações curte um terror das antigas. Mas, convenhamos, quantas garotas da sua idade conhecem e se interessam pelos clássicos do Terror e Suspense? Desconfio que não muitas, né?

Um BIG abraço e bons pesadelos!
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