Desligue Seu Ego

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Futuro_do_Terror

Quando as grandes estrelas da música americana se reuniram para gravar "We Are The World" para o projeto USA For Africa, um cartaz foi afixado na porta do estúdio de gravação: "Pendure seu ego aqui." Não foi à toa. Já pensou se cada um daqueles astros e estrelas resolvesse dar piti no meio da gravação? Não ia ter gravação. Simples assim.

Eu sei que, quando vamos escrever, a sensação é meio inebriante. Quando, ainda por cima, vem aquela história inteira na cabeça, que a gente senta em frente ao computador e as ideias fluem da mente para o teclado e de lá para a tela, a sensação é orgásmica. (Tá bom, pode ser da mente para a mão, da mão para a caneta e de lá para o papel, se você for do time dos obsole... digo, conservadores...rs).

Eu costumo dizer que nessa hora a gente sente "Complexo de Deus" - afinal, não apenas criamos nossos personagens, nós decidimos vida e morte para eles. No nosso caso, escritores de terror, ainda mandamos o infeliz para o Inferno, se assim o desejarmos.

Mas tem uma hora que a gente precisa olhar pros nossos textos sem essa presunção toda. Nesse momento, o maior risco de destruir uma boa história é justamente o nosso ego.

Não conheço nada melhor para curar Complexo de Deus do que uma boa revisão de texto. Às vezes desconfio que alguns autores acabam não revisando seus textos não por preguiça, mas por orgulho. Depois de se sentir Deus, encarar os próprios erros não é nada fácil. Vá dar uma volta, tome uma água ou um café e volte para encarar o texto. Mas, desta vez, desligue seu ego. Aliás, se puder, encarne outra persona: veja seu texto pelos olhos do leitor, de um revisor ou do crítico literário mais tinhoso que você puder conceber.

Eu habitualmente começo minha revisão verificando erros de digitação, ortografia e gramática. Em seguida, mas não menos importante, tento ver se não cometi nenhum dos benditos furos no enredo. Às vezes a gente está lá, se achando brilhante e percebe um furo desses. Se formos nós quem percebemos, menos mal, dá pra concertar. Duro é se acontece com a gente o que aconteceu no livro "O Caçador De Pipas", onde o personagem principal tem seu maravilhoso conto desbancado pelo amigo pobre, que percebe um furo em seu enredo.

Já me aconteceu de alguém me apontar algum erro de digitação ou gramática e eu acabar percebendo o tal furo no meu enredo. E era um bem feio. Em meu conto "A Lenda Da Prata Do Lobisomem" - ah, você achou que eu ia passar sem fazer um merchanzinho, né?...rs - eu fiz o coitado do Jean Pierre de Grenouille virar Paris do avesso para encontrar um velhinho que teve sua reputação destruída por ter contado que havia visto um homem se transformando em lobisomem. E esse homem era justamente Jean Pierre. Só que eu não prestei atenção e escrevi uma asneira das grandes. Disse que o Jean Pierre havia descoberto o problema do velho ao sentir seu cheiro numa cabana... olha, por mais fantástico que seja o faro de um lobisomem, deduzir a história toda pelo cheiro era demais. Voltei lá e editei o conto. A versão publicada aqui no Letras de Sangue já é a versão corrigida.

Se você tiver a oportunidade, peça para que alguém leia o seu texto, antes de publicá-lo. Mas peça a alguém que vá ser honesto com você. Pedir pra quem vai ler e só dizer que "está lindo", não vale. O bom é que a pessoa, ao te questionar, pode até te render alguma ideia melhor do que a sua ideia original. Ou mostrar pra você que aquele parágrafo maravilhoso que você tanto gostou só faz sentido pra você mesmo.

E é sempre melhor quando a gente descobre os erros antes de publicar. Receber comentários dos leitores apontando os seus erros não é mole, não. E a galera aponta. Pode ter certeza.

Agora, quando você capricha na edição, apresenta uma redação fluente, isenta de erros, com uma trama bem montada, aí é só curtir os comentários dos leitores, falando o quanto eles se encantaram com o seu texto. E deixar o ego inflar feito um baiacu, agora com todo o merecimento.

A propósito, a redação correta da citação que abre este texto é:

 

Futuro_do_Terror_2

Fazer o que, né?...rs

 

 

Um BIG abraço e bons pesadelos.



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Comentários   

0 # Roque adaon 31-08-2017 13:07
Gostei muito eu so locamente apaichonado por contos e filmes de lobisomem voce tem mais
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